Rubio viaja à América Latina para defender prioridades dos EUA

Ele visitará a Colômbia, o Equador e o Peru de 8 a 10 de setembro.


O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, iniciou nesta terça-feira (8) uma viagem por três países da América Latina — Colômbia, Equador e Peru —, em uma agenda voltada ao fortalecimento das relações com governos conservadores alinhados a Washington. A visita ocorre em meio à intensificação das operações militares norte-americanas contra o narcotráfico e à tentativa do governo de Donald Trump de ampliar sua influência no Hemisfério Ocidental.

O secretário de Estado norte-americano não viajará ao Brasil.

Rubio desembarcou pela manhã na Colômbia, onde se reuniu com o presidente Abelardo de la Espriella, um conservador pró-Trump. O novo governo colombiano adotou uma postura de maior alinhamento com os Estados Unidos em temas como combate às drogas, imigração e energia.

Segundo Rubio, os países visitados compartilham interesses com Washington no combate ao terrorismo criminoso transnacional e na área econômica. O secretário afirmou que o governo norte-americano espera consolidar novos acordos comerciais.

Questionado sobre uma possível visita à Venezuela, Rubio afirmou que os Estados Unidos pretendem realizar a viagem futuramente. Ele também defendeu o acordo petrolífero firmado recentemente com o país sul-americano, argumentando que os campos de petróleo venezuelanos foram dominados por países adversários dos Estados Unidos, como China, Rússia e Irã, mas não foram explorados de forma adequada.

A viagem ocorre um dia após forças norte-americanas interceptarem e afundarem uma embarcação equatoriana que, segundo Washington, tinha ligações com o grupo criminoso Los Choneros. A operação foi a mais recente de uma série de ações contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico.

Diferentemente de operações anteriores, os ocupantes da embarcação foram retirados e entregues às autoridades equatorianas. A mudança ocorre após uma sequência de ataques realizados desde setembro de 2025, que resultaram na morte de pelo menos 227 pessoas classificadas pelo governo Trump como “narcoterroristas”, sem a apresentação pública de provas que sustentassem todas as acusações.

O chanceler colombiano, Omar Bula, afirmou que a visita de Rubio representa o início da reconstrução de uma aliança estratégica com os Estados Unidos. Segundo ele, segurança, combate ao narcotráfico, comércio e valores compartilhados estarão entre os principais temas discutidos.

No poder há cerca de um mês, De la Espriella adotou uma linha dura contra grupos armados e prometeu deportar milhares de imigrantes em situação irregular, principalmente venezuelanos. O presidente colombiano também ampliou a cooperação em segurança com Washington e intensificou operações militares contra grupos ilegais.

A ofensiva, contudo, provocou críticas da oposição de esquerda após a morte de menores durante atentados realizados contra organizações armadas.


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