Afastado da PF, Andrei foi indicado por Lula para diretor-geral

O ministro do STF André Mendonça determinou seu afastamento.


O afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF), determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre após quase quatro anos de uma relação profissional próxima entre o delegado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Andrei assumiu a direção-geral da PF em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Lula. Sua indicação foi anunciada em dezembro de 2022 pelo então futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, hoje ministro da Corte indicado por Lula, após a vitória do petista nas eleições presidenciais. Antes de comandar a corporação, Rodrigues havia coordenado a segurança de Lula durante a campanha eleitoral de 2022 e integrado a estrutura de proteção do presidente eleito no período de transição.

A ligação profissional entre os dois, no entanto, é anterior. Andrei Rodrigues também atuou na segurança de Lula em campanhas presidenciais anteriores e exerceu cargos na área de segurança durante governos petistas. Delegado de carreira da Polícia Federal, acumulou ainda passagens por unidades de combate ao narcotráfico e a crimes fazendários, além de ter atuado como oficial de ligação da corporação em Madri, na Espanha.

Ao longo de sua gestão, Andrei consolidou-se como um dos nomes de confiança do presidente. Levantamento divulgado em julho apontou que o diretor-geral participou de 46% das comitivas internacionais de Lula nos primeiros três anos do atual governo, permanecendo 81 dias em viagens presidenciais ao exterior. A PF afirmou que as agendas também estavam relacionadas à cooperação internacional.

A proximidade entre Andrei e Lula chegou a ser mencionada em relatório interno da própria PF, produzido no atual contexto do embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Segundo o documento, Mendonça teria demonstrado preocupação com a relação próxima entre o diretor-geral e o presidente.

Nesta terça-feira, Mendonça determinou o afastamento de Andrei e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão está relacionada à suspeita de produção de relatórios de inteligência que teriam monitorado autoridades, incluindo integrantes do STF e da Advocacia-Geral da União. O ministro também ordenou a abertura de investigações pela Corregedoria da PF.

A medida de Mendonça ainda será submetida ao referendo da Segunda Turma do Supremo.


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