O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) teria solicitado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, auxílio para que seu ex-assessor, Thiago Faria, e o advogado dele conseguissem liberar “um ativo de minério”, segundo reportagem da jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias.
A reportagem informou que procurou, nesta quinta-feira (3), a defesa de Vorcaro e a assessoria de Nikolas por meio de seus canais oficiais, mas não recebeu resposta. Faria, que negou irregularidades, também não foi localizado pelo site.
O áudio obtido pelo ICL foi enviado por Nikolas a Vorcaro em 30 de março de 2025. Na gravação, o deputado chama o empresário de “Dani” e afirma que gostaria de estreitar a relação entre os dois. Após uma resposta de Vorcaro, Nikolas encaminha o contato de Thiago Faria. O empresário encerra a conversa dizendo: “Amém, irmão. Estamos na guerra juntos”.
No dia seguinte, Nikolas informou que Faria estaria disponível em Brasília. As mensagens não esclarecem se Vorcaro atendeu ao pedido. Na mesma conversa, o deputado também pediu desculpas por publicações nas quais havia criticado um evento financiado pelo Banco Master em Londres.
Mensagens mostram ainda que, em 2024, Vorcaro afirmou ao empresário Flávio Carneiro ter custeado voos de Nikolas, sem informar a quantidade ou o período. “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”, teria dito o ex-banqueiro.
Faria afirmou ao ICL que os contatos ocorreram porque os envolvidos são de Minas Gerais. Segundo ele, o pedido estava relacionado à área de mineração, na qual atua profissionalmente.
As mensagens fazem parte de um conjunto maior de conversas entre Vorcaro e autoridades que veio a público nos últimos dias. Documentos revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que o empresário manteve contatos com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive para tratar de assuntos relacionados às investigações sobre o Banco Master.
Segundo as informações, Vorcaro e Moraes se encontraram ao menos seis vezes, e houve conversas até no dia da prisão do ex-banqueiro. A Polícia Federal também identificou alterações feitas por Moraes em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. O ministro não se manifestou sobre as acusações.
As revelações ampliaram a pressão da oposição pelo impeachment de Moraes e provocaram reações dentro do STF. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF e afirmou que o ministro André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para impor uma investigação sobre Moraes.
Mendonça, relator do caso Master, solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a realização de uma sessão presencial do plenário para discutir as mensagens. Antes disso, havia pedido manifestação da PGR sobre o conteúdo, que inclui conversas nas quais Vorcaro menciona a atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor, em referência, segundo a reportagem, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao próprio Gonet.




