O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fez referência indireta aos repasses de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” ao responder, nesta quarta-feira (2), às cobranças de senadores bolsonaristas pela abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Os pagamentos realizados pelo ex-controlador do Banco Master para a produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme… e agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes?”, afirmou Alcolumbre durante a sessão no plenário. O presidente do Senado disse que pretende apresentar, em momento oportuno, sua versão sobre o caso.
A declaração ocorreu após o ministro André Mendonça, relator do processo envolvendo o Banco Master, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou contatos entre Moraes e Vorcaro. Após a divulgação do documento, Flávio e outros senadores bolsonaristas intensificaram as cobranças pelo impeachment do ministro.
Durante a sessão, os senadores Cleitinho (Republicanos-MG), Carlos Viana (PSD-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ), entre outros, pressionaram Alcolumbre a abrir o processo. Portinho pediu que o presidente do Senado deixasse de “ficar na sombra” e tomasse uma decisão.
Aliados de Alcolumbre avaliam como praticamente inexistente a possibilidade de abertura do processo contra Moraes, devido à relação próxima entre os dois. Alcolumbre, Moraes e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) mantêm encontros frequentes.
Desde o início das denúncias, Alcolumbre vinha evitando comentar o caso. Na terça-feira (1º), afirmou apenas considerar anormal a existência de 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
Segundo a investigação da PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025. O relatório também aponta que Moraes aparece como último editor de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Flávio, por sua vez, defendeu a renúncia de Moraes e afirmou que o ministro não teria mais condições de permanecer no STF.




