O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) identificou um plano do regime de Nicolás Maduro para manipular resultados eleitorais na Venezuela. Em pronunciamento na noite de quinta-feira (16), o republicano responsabilizou o governo venezuelano por fraudes e disse que o relatório comprova a existência do esquema.
O documento, concluído em 29 de junho, informa que a CIA monitora, há quase duas décadas, a capacidade das autoridades venezuelanas de alterar resultados por meio de sistemas eletrônicos de votação. No entanto, o próprio relatório ressalta que as informações de inteligência não comprovam, de forma definitiva, a ocorrência de fraude eletrônica em larga escala em eleições específicas.
Segundo Trump, os documentos mostram que a agência obteve informações sobre um plano para favorecer o regime chavista. O presidente norte-americano também afirmou que os sistemas eletrônicos de votação dos Estados Unidos poderiam ser vulneráveis a manipulações semelhantes.
De acordo com os registros divulgados, integrantes da Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) teriam desenvolvido mecanismos para alterar resultados eleitorais desde 2012. O suposto esquema envolveria urnas pré-programadas em regiões de maior apoio ao chavismo e um sistema paralelo de máquinas virtuais capaz de substituir os resultados legítimos por versões manipuladas, preservando a aparência de normalidade.
O relatório também cita relatos de fontes de inteligência sobre as eleições presidenciais de 2012, vencidas por Hugo Chávez contra Henrique Capriles. Segundo essas informações, o plano teria sido elaborado para garantir uma vantagem de até 1,5 milhão de votos em cerca de 300 centros de votação.
Apesar desses relatos, a CIA concluiu que não encontrou evidências de fraude eletrônica em larga escala naquele pleito. A agência considerou pesquisas que indicavam vantagem de Chávez antes da votação, o aumento dos gastos públicos durante a campanha, o reconhecimento da derrota por parte da oposição e análises estatísticas que não identificaram padrões compatíveis com manipulação sistemática.
Os documentos afirmam que as autoridades venezuelanas desenvolveram interesse contínuo e, possivelmente, alguma capacidade para interferir em sistemas eletrônicos de votação. Entretanto, destacam que as informações disponíveis não permitem confirmar que esse mecanismo tenha sido efetivamente utilizado para alterar o resultado de eleições específicas.
Nicolás Maduro responde, nos Estados Unidos, a acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armas. Ele está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, aguardando julgamento. Se condenado, poderá receber pena de prisão perpétua. O processo segue em andamento.




