Cometa interestelar 3I/Atlas pode ter até 12 bilhões de anos

Alvo de teorias, cientistas reforçam que o objeto é natural, não alien.


O cometa interestelar 3I/Atlas pode ter se formado há cerca de 10 a 12 bilhões de anos e apresenta uma composição considerada inédita em relação a qualquer objeto conhecido no Sistema Solar. As informações constam de um estudo publicado na segunda-feira (22) na revista Nature.

Segundo o cientista planetário e astroquímico Martin Cordiner, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, o objeto pode ser o mais antigo já observado passando pelo Sistema Solar. Ele integra a equipe responsável pela nova pesquisa.

De acordo com o estudo, o 3I/Atlas teria se originado em um ambiente extremamente frio, com temperaturas próximas de -243 °C, diferente das condições em que a Terra e os demais corpos do Sistema Solar se formaram há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Com cerca de 2,6 km de diâmetro, o cometa percorreu uma longa trajetória após ter sido possivelmente ejetado de seu sistema planetário de origem por interações gravitacionais ou eventos de colisão.

“Nunca vimos antes um objeto como o 3I/Atlas”, afirmou Cordiner.

As análises foram realizadas com o auxílio do Telescópio Espacial James Webb, da agência espacial norte-americana, que permitiu a medição de isótopos presentes no cometa, como variações de hidrogênio e carbono. Esses dados ajudam a reconstruir as condições físicas e químicas do ambiente onde o objeto se formou.

Os resultados indicam que a água do 3I/Atlas possui cerca de 30 vezes mais deutério do que os cometas do Sistema Solar, além de proporções isotópicas de carbono distintas das observadas em outros corpos celestes conhecidos.

Segundo os pesquisadores, o objeto é rico em moléculas orgânicas que incluem elementos essenciais como carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre, sugerindo que compostos pré-bióticos podem ser comuns em discos de formação planetária distantes.

A composição sugere ainda que o cometa se formou durante um período de intensa atividade de formação estelar, possivelmente há cerca de 12 bilhões de anos. Embora a origem mais provável seja a Via Láctea, os cientistas não descartam que ele possa ter vindo de outra galáxia.

O 3I/Atlas se junta a outros dois objetos interestelares já identificados pela Terra: 1I/’Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019.

Atualmente, o cometa segue em trajetória que o levará a cruzar a região externa do Sistema Solar, passando pela órbita de Saturno e, depois, além de Plutão em 2029, com previsão de saída definitiva do Sistema Solar por volta de 2035.

Os pesquisadores reforçam que o objeto é natural, afastando hipóteses e teorias não sustentadas de origem artificial ou alienígena. Segundo Cordiner, as observações confirmam de forma consistente que se trata de um cometa interestelar.