A China foi o país com o maior número de execuções em 2025, segundo dados da Anistia Internacional. De acordo com a organização, a ditadura chinesa teria realizado execuções de milhares de pessoas, utilizando a pena de morte também como instrumento de sinalização política, com o objetivo de demonstrar que o Estado não tolera ameaças à segurança pública, à estabilidade ou à ordem social.
No relatório “Sentenças de Morte e Execuções”, a entidade analisou dados referentes ao período de janeiro a dezembro de 2025 e apontou que o mundo registrou o maior número de execuções desde 1981. No período, ao menos 2.707 pessoas foram executadas judicialmente, um aumento de 78% em relação a 2024, segundo a Anistia.
O documento indica ainda que ao menos 17 países realizaram execuções no período e que os métodos empregados incluem injeção letal, enforcamento, decapitação, fuzilamento e asfixia por nitrogênio.
A China aparece à frente do Irã, da Arábia Saudita e do Iraque, que ocupam, respectivamente, o segundo, terceiro e quarto lugares no ranking. Os Estados Unidos, com 47 execuções, ficaram na sétima posição, registrando o maior número desde 2009.
A Anistia Internacional afirma que se opõe a todas as formas de pena de morte, sem exceção, “independentemente da natureza ou das circunstâncias do crime; da culpa, inocência ou outras características do indivíduo; ou do método utilizado pelo Estado para realizar a execução”.
Em casos como o da China, onde o regime mantém os números de execuções e sentenças sob sigilo sob justificativa de segredo de Estado, o relatório se baseia em informações fornecidas por condenados, familiares ou representantes legais, além de relatos da mídia e de organizações da sociedade civil. Nessas situações, a entidade considera apenas casos com “confirmação razoável”.
A Anistia Internacional deixou de divulgar estimativas oficiais sobre a China desde 2009, devido a preocupações sobre a falta de transparência e possível distorção dos dados por parte das autoridades do país. A organização afirma que os números anteriores já eram subestimados em razão das restrições de acesso à informação.
Apesar da ausência de dados oficiais, o relatório indica que as informações disponíveis apontam que milhares de pessoas continuam sendo sentenciadas à morte e executadas anualmente na China, com o total real provavelmente sendo maior.
O documento também destaca o uso da pena de morte no país em casos de crimes de colarinho branco, no contexto de campanhas anticorrupção nos setores financeiro e político, além de acusações de espionagem e atentados à segurança nacional.
Segundo o relatório, as execuções na China também estão associadas a condenações por tráfico de drogas, crimes violentos e delitos contra grupos vulneráveis, como assassinato de mulheres por seus maridos, pedofilia e ataques com múltiplas vítimas fatais ou feridos.




