“Deplorável”, diz Lula sobre PCC e CV como terroristas pelos EUA

O governo Lula foi contra a designação norte-americana ao PCC e ao CV.


O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (29), integrantes da família Bolsonaro que viajaram aos Estados Unidos e afirmou haver “risco de interferência estrangeira” em assuntos internos do Brasil.

Em nota à imprensa, o Palácio do Planalto classificou a iniciativa como “deplorável” e afirmou que há tentativa de pressionar autoridades internacionais a adotar medidas contra o país. Segundo o governo, ações desse tipo já teriam ocorrido em episódios recentes, como o chamado “tarifaço”, que afetou exportações brasileiras.

O texto sustenta que medidas externas podem gerar impactos econômicos e prejudicar políticas nacionais, citando, inclusive, o sistema de pagamentos instantâneos PIX. “Medidas unilaterais, não negociadas, […] podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX”, diz a nota.

O governo também destacou ações de combate ao crime organizado e afirmou que o Brasil enfrenta facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo o Planalto, essas organizações atuam com foco no lucro, especialmente por meio do tráfico de drogas e armas, e não devem ser confundidas com terrorismo internacional.

O texto informa ainda que o país aprovou recentemente uma lei com penas mais duras contra facções e milícias, que podem chegar a até 80 anos de prisão.

Na nota, o governo defendeu a soberania nacional e afirmou que não aceitará interferência estrangeira. O Planalto também disse haver tentativas de “confundir conceitos” por parte de críticos e classificou alguns deles como “falsos patriotas”. Sem citar nomes diretamente, o texto associa essas ações a políticos brasileiros que buscam apoio externo para pressionar instituições nacionais.

Apesar das críticas, o governo Lula afirmou manter cooperação internacional no combate ao crime. Segundo o Planalto, o Brasil apresentou, em abril, uma proposta aos Estados Unidos para ampliar a colaboração em áreas como combate à lavagem de dinheiro no exterior e controle do tráfico internacional de armas.

O governo disse estar aberto a parcerias, mas rejeita medidas consideradas, por ele, como “arbitrárias”.

De acordo com a nota, ações externas podem enfraquecer o combate ao crime, reduzir o compartilhamento de informações entre polícias, afetar o sistema financeiro e gerar prejuízos econômicos. O texto conclui que a soberania nacional “é inegociável” e que cabe ao Brasil definir como enfrenta o crime em seu território.