Os gastos com as Forças Armadas (FFAA) nos três primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registraram queda em comparação ao mesmo período da gestão de Jair Bolsonaro (PL).
De 2023 a 2025, foram empenhados R$ 404,3 bilhões em despesas totais com a Defesa, contra R$ 453,8 bilhões entre 2019 e 2021, o que representa um recuo de 10,8%, segundo dados corrigidos pela inflação mais recente, de março de 2026.
Entre as Forças, a Marinha apresentou a maior redução, de 15,5%. No período analisado do governo Lula, foram empenhados R$ 109 bilhões, ante R$ 129 bilhões no intervalo equivalente da gestão anterior. O Exército teve queda de 9,6%, enquanto a Aeronáutica registrou recuo de 7,7%.
Apesar da redução nos valores, a Marinha permanece como a Força com maior destaque em investimentos recentes. Em 24 de abril, recebeu a primeira fragata construída no Brasil desde 1980, a F200 Tamandaré. Dias antes, o presidente Lula anunciou, na Alemanha, a encomenda de quatro fragatas da mesma classe, somando-se a outras quatro já contratadas, com entregas previstas para 2028.
O governo argumenta que fatores estratégicos justificam a modernização naval, especialmente diante da relevância das rotas marítimas para o comércio exterior brasileiro.
Em nota enviada ao site Poder360, o Ministério da Defesa afirmou:
“O orçamento do Ministério da Defesa, como o de qualquer ministério, é composto por dois grandes grupos de despesas: as obrigatórias e as discricionárias.
As despesas obrigatórias decorrem de imposição normativa — ou seja, o gestor público não tem margem para deixar de executá-las. Em geral, fazem parte desse grupo as despesas com pagamento de pessoal, previdenciárias, algumas políticas sociais, entre outras.
Já as despesas discricionárias são as que mais diretamente refletem as escolhas e prioridades do governo. No caso do Ministério da Defesa, são elas que financiam as operações reais e de treinamento das Forças Armadas, o funcionamento das organizações militares distribuídas por todo o território nacional, a aquisição de combustíveis, munições e equipamentos, bem como os projetos estratégicos de defesa no âmbito do Programa Novo PAC.
Foi precisamente para esse conjunto de despesas — o mais relevante para avaliar o compromisso efetivo do governo com a Defesa — que, em novembro de 2025, foi aprovada a Lei Complementar nº 221, a qual viabiliza a ampliação de recursos para a defesa nacional em R$ 30 bilhões ao longo de seis anos.
Com base nessa norma, o orçamento discricionário do Ministério foi ampliado, no exercício anterior (2025), em R$ 2,5 bilhões, estando prevista, para 2026, nova elevação em igual montante. Em decorrência desse movimento, entre 2023 e 2026, as despesas discricionárias do Ministério terão registrado um incremento aproximado de 24%, em valores correntes, passando de R$ 12,3 bilhões para R$ 15,3 bilhões.
Não obstante, o Ministério continua buscando a aprovação de um marco legal que garanta a necessária previsibilidade orçamentária para o setor.”




