A Índia enfrenta um novo surto do vírus Nipah, um patógeno de alta letalidade que afeta países da Ásia desde sua identificação, em 1999. No estado indiano de Bengala Ocidental, cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após dois profissionais de saúde receberem atendimento, no início de janeiro, por terem contraído o vírus. Ambos haviam tido contato com casos confirmados da doença, mas testaram negativo inicialmente.
O vírus Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite, caracterizada pelo inchaço do cérebro. A transmissão ocorre entre humanos e também a partir de animais, como morcegos e porcos. Atualmente, não há vacina nem tratamento curativo disponível. Diante do surto na Índia, países vizinhos entraram em alerta, e alguns intensificaram medidas de segurança em aeroportos para evitar uma possível disseminação do vírus.
Na segunda-feira (26), o Ministério da Saúde da Tailândia anunciou protocolos de saúde e medidas de triagem em três aeroportos internacionais que recebem voos originários de Bengala Ocidental, conforme informações reunidas pela BBC Thai, serviço em tailandês da emissora britânica BBC. Os aeroportos afetados são Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket.
De acordo com o Departamento de Controle de Doenças, o aeroporto de Phuket, que recebe cinco voos diretos por semana da área atingida pelo surto na Índia, intensificou a limpeza de áreas comuns e a coordenação das operações com postos internacionais de controle de doenças transmissíveis. No terminal de Suvarnabhumi, autoridades realizaram triagens de passageiros provenientes da Índia. Ao todo, 332 pessoas foram examinadas, segundo dados oficiais, e nenhuma apresentou suspeita de infecção. Até o momento, não há registros de casos de Nipah na Tailândia.
O vírus Nipah foi listado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), juntamente com Ebola, Zika e a Covid-19, como uma das doenças que merecem pesquisa prioritária devido ao seu potencial de causar uma epidemia global.
A infecção pelo vírus Nipah é uma doença zoonótica, transmitida de animais como porcos e morcegos frugívoros para humanos, segundo a OMS. A transmissão também pode ocorrer por meio de alimentos contaminados ou pelo contato direto com pessoas infectadas. Surtos são registrados quase anualmente em partes da Ásia, especialmente em Bangladesh e na Índia. O consumo de frutas ou de produtos derivados, como suco de tâmara cru, contaminados por urina ou saliva de morcegos infectados, é considerado a principal origem de infecções anteriores.
As infecções em humanos variam de casos assintomáticos a quadros graves, com infecções respiratórias agudas e encefalite fatal. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta, podendo evoluir para tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos. Em casos graves, podem ocorrer pneumonia atípica, insuficiência respiratória, convulsões e coma em 24 a 48 horas. O período de incubação varia de quatro a 14 dias, podendo chegar a 45 dias. A taxa de letalidade pode alcançar até 75% dos infectados.
O primeiro surto de Nipah ocorreu na Malásia, em 1999, causando mais de 100 mortes e levando ao abate de cerca de um milhão de porcos. O vírus também foi registrado em Singapura, com 11 casos e uma morte entre trabalhadores de matadouros. Bangladesh é o país mais afetado desde 2001, com mais de 100 mortes. Na Índia, surtos foram registrados sobretudo no estado de Kerala, em 2013 e 2018, sendo controlados em poucas semanas por meio de testagem em larga escala e isolamento rigoroso. Segundo a OMS, outros países com risco potencial incluem Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia, onde há evidências da presença do vírus em morcegos.




