França testa míssil balístico após ameaça da Rússia

O país europeu possui cerca de 290 ogivas nucleares.

–


A França, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), realizou nesta terça-feira (6) o primeiro teste de lançamento do míssil balístico estratégico M51.3 a partir de um submarino nuclear. O projétil foi lançado pelo submarino Le Vigilant, ao largo do departamento de Finistère, no oeste do país, e caiu no Atlântico Norte, a centenas de quilômetros da costa. O presidente francês, Emmanuel Macron, acompanhou o teste a bordo da fragata Auvergne.

Segundo o Ministério das Forças Armadas da França, o míssil não transportava carga nuclear. O lançamento fez parte da operação Smertrios e teve como objetivo validar a capacidade do Le Vigilant de operar o M51 após um período de manutenção e reparos. O projétil foi monitorado durante todo o voo por equipamentos da Direção-Geral de Armamento, incluindo o navio de testes e medições Monge.

O M51.3 é a terceira versão do sistema M51 e entrou em operação em 24 de outubro de 2025. De acordo com o governo francês, a nova versão possui melhorias de alcance, precisão e capacidade de penetração das defesas antimísseis, além de ser equipada com novas ogivas nucleares TNO-2.

O teste ocorre em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e países europeus, especialmente em torno da guerra na Ucrânia e da situação de Kaliningrado, território russo localizado entre a Polônia e a Lituânia. Segundo Paris, o lançamento reforça a capacidade de dissuasão nuclear francesa diante do cenário de segurança europeu.

Apesar de integrar a OTAN, a França mantém sua força nuclear sob controle nacional. O país possui cerca de 290 ogivas nucleares e utiliza submarinos e aeronaves como plataformas de lançamento. O governo francês também vem ampliando as discussões sobre cooperação nuclear com outros países europeus, sem transferir a autoridade sobre o emprego de suas armas.

Macron afirmou que o teste representa uma demonstração da capacidade estratégica francesa. O governo de Paris, porém, classificou oficialmente o lançamento como um teste de aceitação destinado a validar o sistema de armas após a manutenção do submarino.


Assine a nossa newsletter!

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo