Surto de Ebola está se espalhando rapidamente na África Central

A maioria dos casos ocorre na RD Congo, com ao menos 131 mortes.


Uma rara cepa do vírus Ebola levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar, no domingo (17), uma emergência de saúde pública de interesse internacional.

A maioria dos casos foi registrada na República Democrática do Congo (RDC), com pelo menos 131 mortes associadas ao surto. As autoridades de saúde reportaram 516 casos suspeitos e 33 confirmados no país, além de dois casos confirmados na vizinha Uganda, segundo boletim diário publicado na terça-feira (19).

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, demonstrou profunda preocupação com a velocidade e a escala da disseminação da doença, à medida que o número de casos continua a aumentar na África.

O surto atual é causado pela rara cepa conhecida como vírus Ebola Bundibugyo, identificada pela primeira vez durante um surto em 2007–2008, na província de Bundibugyo, em Uganda. Um segundo surto ocorreu em 2012, na República Democrática do Congo.

O Bundibugyo é uma das quatro espécies do gênero Ebolavirus responsáveis por doenças potencialmente fatais em humanos. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, ou com objetos contaminados. A taxa de letalidade varia entre 30% e 40%, inferior à da cepa Zaire, que pode atingir até 90%, segundo estudo publicado em 2024.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), um médico norte-americano que atua na República Democrática do Congo foi infectado no atual surto, evidenciando o risco elevado para profissionais de saúde.

Segundo a OMS, os sintomas iniciais incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta, seguidos por vômitos, diarreia e, em casos graves, hemorragias internas e externas e falência múltipla de órgãos. Não há vacinas ou medicamentos aprovados especificamente para o Ebola Bundibugyo.

As medidas de resposta incluem detecção rápida de casos, isolamento, rastreamento de contatos, controle de infecções, sepultamentos seguros e engajamento comunitário.

Essas medidas foram cruciais para o controle da epidemia de Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, o maior surto de Ebola já registrado, e, se implementadas de forma rápida e eficaz, também podem ajudar a controlar este surto, avaliou um especialista na área.