A China deverá ampliar suas importações de petróleo bruto dos Estados Unidos, impulsionada pela relação comercial entre as duas maiores economias do mundo no setor energético. A avaliação foi feita pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em entrevista à emissora CNBC, na sexta-feira (15), durante visita a Port Arthur, no estado norte-americano do Texas.
A China é atualmente a maior importadora mundial de petróleo, enquanto os Estados Unidos lideram a produção global. Segundo Wright, há uma relação comercial naturalmente favorável entre os dois países nesse segmento. “Existe um comércio natural de energia”, disse o secretário do governo Trump à CNBC.
O cenário ocorre em meio às dificuldades enfrentadas por Pequim no abastecimento energético. A China depende fortemente do petróleo do Oriente Médio, mas as exportações da região foram severamente afetadas pelo bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, que interrompeu o fluxo de petróleo nos últimos meses. Apesar disso, o país asiático tem conseguido enfrentar a crise com o apoio de sua ampla reserva estratégica.
“Suspeito que veremos um aumento nas importações de petróleo dos Estados Unidos”, afirmou Wright à CNBC.
De acordo com o secretário, a tendência é que a China e outros compradores asiáticos também passem a adquirir mais petróleo do estado do Alasca, localizado fora do território continental dos Estados Unidos, à medida que o governo do presidente Donald Trump amplia a produção na região. No curto prazo, porém, Pequim deverá intensificar as compras de petróleo da Costa do Golfo dos EUA.
Trump afirmou anteriormente à emissora Fox News que a China concordou em ampliar a compra de petróleo americano, embora Pequim ainda não tenha confirmado a existência de um acordo formal.
“Eles concordaram que querem comprar petróleo dos Estados Unidos. Vão ao Texas, e nós começaremos a enviar navios chineses para o Texas, a Louisiana e o Alasca”, declarou Trump à Fox News, após encontro com o presidente chinês Xi Jinping durante uma cúpula em Pequim nesta semana.
Wright também afirmou que o Estreito de Ormuz deverá perder relevância estratégica após o bloqueio imposto pelo Irã. “Esta é uma carta que se joga uma única vez”, disse o secretário sobre a interrupção da rota marítima. Segundo ele, países do Golfo deverão ampliar investimentos em oleodutos alternativos para reduzir a dependência do estreito e garantir novas rotas de exportação de energia.




