Flávio teria cobrado Vorcaro sobre filme de Bolsonaro, diz site

A promessa de investimento no projeto seria de US$ 24 milhões.


O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cobrou o banqueiro Daniel Vorcaro por supostos pagamentos destinados à produção do filme Dark Horse, longa-metragem que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo reportagem do site The Intercept Brasil, um suposto áudio atribuído a Flávio Bolsonaro mostra o senador demonstrando preocupação com atrasos financeiros relacionados à equipe internacional envolvida na produção. Na gravação, ele afirma estar constrangido em fazer cobranças, mas relata temer prejuízos à imagem do projeto e ao cumprimento de contratos com profissionais estrangeiros.

No conteúdo divulgado, o senador menciona preocupação com um eventual “calote” ao ator Jim Caviezel, protagonista do filme, ao diretor Cyrus Nowrasteh e a outros integrantes da equipe internacional.

Nos áudios, Flávio afirma:

“Você, eu sei que está passando por um momento dificílimo também. Essa confusão toda, não é? Você sem saber como tudo isso vai caminhar…

E, apesar de você ter dado liberdade para a gente te cobrar, Daniel, fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque estamos em um momento muito decisivo do filme e, como há muitas parcelas em atraso, está todo mundo tenso. Fico preocupado com o efeito contrário ao que sonhamos para o filme, não é? Imagine a gente dando calote em um Jim Caviezel, em um Cyrus… Caras renomadíssimos no cinema americano e mundial. Pô, seria muito ruim. Todo o efeito positivo que temos certeza de que esse filme vai trazer pode acabar tendo o efeito inverso, cara.

Então, se você puder me dar um retorno, uma posição, Daniel… Porque precisamos saber o que fazer, cara, já que há muita conta para pagar neste mês e no seguinte também. Agora, que estamos na reta final, não podemos vacilar nem deixar de honrar os compromissos, porque, senão, perdemos tudo, cara. Todo o contrato. Perdemos ator, diretor, equipe, perdemos tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão, abração… Fica com Deus.”

De acordo com a reportagem, Vorcaro teria realizado ao menos seis operações financeiras entre fevereiro e maio de 2025, totalizando US$ 10 milhões (cerca de R$ 60 milhões) destinados ao filme. A promessa de investimento no projeto seria de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões.

Os documentos obtidos pelo site incluiriam cronogramas de desembolso, comprovantes bancários e cobranças relacionadas às parcelas previstas. Ainda segundo a publicação, não haveria evidências de que os outros oito pagamentos previstos no acordo tenham sido efetuados.

A reportagem afirma ainda que o contato entre o banqueiro e a produção do filme teria sido intermediado pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, pelo deputado Mário Frias (PL-SP) e por outros articuladores ligados ao entorno bolsonarista.

Na véspera da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal (PF), Flávio também teria enviado mensagens ao banqueiro pedindo contato e manifestando apoio. Em uma delas, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não há meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abraço!”.