EUA devolvem à Venezuela navio-tanque apreendido

Os Estados Unidos não detalharam os motivos da devolução do navio.


Os Estados Unidos anunciaram a devolução à Venezuela de um navio-tanque que havia sido apreendido neste mês, informaram dois funcionários norte-americanos à agência Reuters na quarta-feira (28).

De acordo com as fontes, que falaram sob condição de anonimato, a embarcação entregue às autoridades venezuelanas é o superpetroleiro M/T Sophia, registrado sob bandeira panamenha. Os funcionários não detalharam os motivos da devolução do navio.

A devolução ocorre em meio a um esforço de vários meses, por parte do governo dos Estados Unidos, para apreender petroleiros supostamente vinculados à Venezuela. Desde o final do ano passado, as autoridades americanas realizaram a apreensão de sete navios-tanque como parte dessa iniciativa.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos, responsável pelas operações de interdição e apreensão, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters sobre a devolução do M/T Sophia. Também não houve pronunciamento oficial por parte do governo venezuelano até o momento.

O navio Sophia foi interceptado em 7 de janeiro pela Guarda Costeira e pelas forças militares dos Estados Unidos enquanto transportava petróleo. Na ocasião, as autoridades americanas caracterizaram a embarcação como um navio-tanque “apátrida” e sancionado, integrante de uma chamada frota clandestina.

Uma das fontes consultadas pela Reuters afirmou não saber se a carga de petróleo ainda permanecia a bordo no momento da entrega do navio às autoridades venezuelanas.

Especialistas do setor naval e de seguros observaram que grande parte dos petroleiros sujeitos a sanções ocidentais ou associados à chamada “frota paralela” têm mais de 20 anos de construção. Segundo esses especialistas, tais embarcações frequentemente não dispõem de certificação de segurança nem de seguro adequado, o que representa riscos adicionais à navegação e à responsabilização em caso de acidentes ou derramamento de óleo.

A empresa GMS, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, solicitou ao governo dos Estados Unidos uma licença para adquirir e desmontar navios apreendidos por envolvimento no transporte de petróleo venezuelano.

O episódio ocorre em um contexto de forte tensão geopolítica envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, incluindo medidas punitivas de Washington contra Caracas e maior escrutínio internacional sobre as exportações de petróleo venezuelano.