Presidente da Alerj é preso por suspeita de obstruir investigação da PF

O mandado de prisão foi expedido por Alexandre de Moraes.


O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso nesta quarta-feira (3) pela Polícia Federal (PF) na Operação Unha e Carne. Segundo a PF, ele é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado estadual TH Joias (MDB) foi preso.

O mandado de prisão foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o afastamento de Bacellar do mandato. “Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual, capazes de potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa”, escreveu Moraes na decisão.

A suspeita de vazamento já havia sido levantada no dia da Operação Zargun pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira. Segundo ele, houve dificuldade para localizar TH, que deixou seu condomínio na véspera da ação. O parlamentar não foi encontrado em casa, na Barra da Tijuca, e só apareceu horas depois na residência de um amigo, no mesmo bairro.

Moraes também autorizou oito mandados de busca e apreensão, incluindo o gabinete de Bacellar na Alerj. A PF informou que a ação integra as determinações do STF no julgamento da ADPF das Favelas, que incumbiu a corporação de investigar a atuação dos principais grupos criminosos do estado e suas conexões com agentes públicos.

TH Joias foi preso em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas e acessórios para o Comando Vermelho (CV). Ele assumiu como deputado estadual em 2023, mas perdeu o mandato quando Rafael Picciani retornou à Alerj após deixar o governo estadual de Cláudio Castro (PL), onde ocupou cargo no secretariado do governador fluminense.

A PF afirma ter identificado um esquema de corrupção envolvendo lideranças do Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos. Segundo o Ministério Público do Rio, TH favoreceu o Comando Vermelho durante o mandato, inclusive, segundo o MPRJ, nomeando comparsas para cargos na Alerj.

Na Operação Zargun, foram cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, além do sequestro de R$ 40 milhões em bens. A investigação apontou que a organização se infiltrava na administração pública para garantir impunidade e obter informações sigilosas, além de, segundo a PF, importar armas do Paraguai e equipamentos antidrones da China, revendidos até para facções rivais.

Os investigados respondem por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Paralelamente, na Operação Bandeirante, o MPRJ denunciou TH e mais quatro pessoas por associação para o tráfico e comércio ilegal de armas de uso restrito. Segundo a denúncia, eles mantinham vínculos com o Comando Vermelho e atuavam nos complexos da Maré, do Alemão e em Parada de Lucas, intermediando a compra e venda de drogas, armas e equipamentos antidrones. A Justiça do Rio expediu quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão, cumpridos na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana.