O ex-secretário assistente para o Financiamento do Terrorismo do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Marshall Billingslea, afirmou que o regime venezuelano utilizou recursos ilícitos para financiar campanhas políticas de esquerda em diversos países da América Latina, incluindo o Brasil.
A declaração foi feita na segunda-feira (20), durante audiência do Comitê do Senado norte-americano sobre Controle Internacional de Narcóticos. Billingslea, que ocupou cargos na área de segurança e finanças internacionais durante o primeiro governo de Donald Trump, afirmou que o governo de Nicolás Maduro transformou a Venezuela em um centro de articulação política regional.
“O regime que espalhou o socialismo na América Latina é o venezuelano. É o dinheiro sujo e corrupto da Venezuela que financiou a campanha de [Gustavo] Petro [presidente da Colômbia]. Eles canalizaram dinheiro para o México e o Brasil. Com a democracia na Venezuela, acaba o dinheiro para campanhas socialistas na região, receitas de petróleo para Cuba e apoio à Nicarágua”, declarou Billingslea aos senadores norte-americanos.
Durante a audiência, ele também acusou o regime venezuelano de transformar o país em um “refúgio disposto” para o grupo Hezbollah, oferecendo acesso a documentos falsificados, rotas de tráfico de drogas e conexões para o Hemisfério Ocidental. “Com sua infraestrutura libanesa em ruínas e o financiamento iraniano incerto, o Hezbollah fará uma guinada decisiva para a América Latina, em especial para o tráfico de drogas”, afirmou.
A declaração ocorre em meio a novas menções sobre supostos repasses de recursos venezuelanos a partidos e líderes de esquerda na região. Na semana passada, reportagem do site UHN Plus informou que Hugo “El Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência da Venezuela, relatou ao Departamento de Justiça dos EUA que fundos da petroleira estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) teriam sido usados para financiar campanhas políticas em outros países durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Carvajal, extraditado para os Estados Unidos em 2023, detalhou como o regime chavista operou transferências ilegais por meio de intermediários e empresas estatais, afirmando que os recursos teriam chegado a líderes como Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Néstor Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Ollanta Humala (Peru), Manuel Zelaya (Honduras) e Gustavo Petro (Colômbia).




