Drones russos sobrevoam rotas de armas dos EUA na Alemanha, dizem autoridades

Segundo autoridades ocidentais, os dados coletados podem apoiar a sabotagem russa e as tropas na Ucrânia.


A Rússia, ou agentes a seu serviço, estaria operando drones de vigilância sobre rotas utilizadas pelos Estados Unidos e seus aliados para o transporte de suprimentos militares pela Alemanha Oriental. Segundo autoridades americanas e ocidentais, as informações coletadas poderiam reforçar a campanha de sabotagem do Kremlin e auxiliar as tropas russas na Ucrânia.

Washington e Berlim têm discutido a escalada dessas ações, incluindo dados que levaram à prisão, em maio, de três ucranianos acusados de envolvimento em um complô ligado a Moscou. A ofensiva russa de sabotagem já resultou em incêndios em armazéns no Reino Unido, em um ataque a uma barragem na Noruega, em tentativas de cortar cabos no Mar Báltico e em outras operações destinadas a aproximar a guerra do coração da Europa, enfraquecendo o apoio a Kiev.

Especialistas indicam que, após um pico no ano passado, os ataques russos caíram significativamente em 2025, reflexo do reforço na segurança europeia e da atuação conjunta dos serviços de inteligência. A redução também é atribuída à intensificação da diplomacia para tentar encerrar o conflito.

“O cenário está mais difícil para os russos operarem”, afirmou Seth Jones, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “Mas não é absurdo supor que os russos estejam um pouco mais cautelosos agora, enquanto há negociações.”

Relatório de Jones apontou que os ataques na Europa quadruplicaram entre 2022 e 2023 e triplicaram no ano seguinte, mas registraram apenas quatro incidentes relevantes no primeiro semestre de 2025. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos confirmou a queda, embora ressalte que a ameaça persista.

Em depoimento ao Senado dos EUA, o general Alexus G. Grynkewich, chefe do Comando Europeu, afirmou que a redução decorre do maior escrutínio público e do rigor das autoridades locais. Os Estados Unidos, tanto no governo Biden quanto sob Donald Trump, forneceram inteligência aos aliados europeus.

Entre os alertas, destacou-se um plano para enviar explosivos em aviões de carga na Alemanha, frustrado com a prisão dos três ucranianos. Segundo autoridades, não estava claro se os dispositivos deveriam atingir a Ucrânia ou explodir ainda em território alemão.

Apesar da pressão internacional, Moscou mantém a capacidade de recrutar agentes para ações em solo europeu. A preocupação atual recai sobre drones detectados no estado da Turíngia. Segundo a revista alemã WirtschaftsWoche, parte desses equipamentos teria origem iraniana e poderia estar sendo operada a partir de navios no Mar Báltico.

O Kremlin nega as acusações. “É difícil imaginar isso. Porque assim os alemães veriam claramente e dificilmente ficariam em silêncio. Então, muito provavelmente, soa como mais uma farsa de jornal”, declarou o porta-voz Dmitri Peskov nesta quinta-feira (28).

Para Jones, os voos configuram “espionagem direta”, permitindo à Rússia mapear empresas fornecedoras de armas, rotas de transporte e cronogramas de envio à Ucrânia. Caso Moscou intensifique sua campanha de sabotagem, os dados obtidos poderão ser empregados em futuras operações.