O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) compareceu nesta segunda-feira (21) à Câmara dos Deputados e exibiu a tornozeleira eletrônica que passou a utilizar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Em discurso direcionado a seus apoiadores, Bolsonaro classificou a medida como uma “humilhação”.
“Não roubei os cofres públicos, não desviei recurso público, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação em nosso país. Uma pessoa inocente. Covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República. Nós vamos enfrentar a tudo e a todos. O que vale para mim é a lei de Deus”, declarou.
A imposição do monitoramento eletrônico foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou risco de fuga do país por parte do ex-presidente, bem como possíveis tentativas de intimidação a ministros do STF, da própria PGR e da Polícia Federal.
Inicialmente, Bolsonaro pretendia participar de uma coletiva de imprensa ao lado de parlamentares aliados. No entanto, a iniciativa foi cancelada após decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que proibiu a veiculação de entrevistas do ex-presidente nas redes sociais.
As declarações de Bolsonaro foram amplamente divulgadas nas plataformas digitais por apoiadores e usuários. Veja o vídeo aqui.
Em documento enviado ao Supremo, a PGR sustenta que Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro atuaram para intimidar autoridades brasileiras e incentivar a imposição de sanções internacionais contra integrantes do STF, da PGR e da Polícia Federal. O órgão ainda afirmou que Bolsonaro teria transferido R$ 2 milhões ao filho, que se encontrava no exterior e promovia ações consideradas obstrutivas.
Diante disso, o procurador-geral Paulo Gonet Branco solicitou ao STF:
• o uso de tornozeleira eletrônica;
• a proibição de entrada em embaixadas estrangeiras;
• a proibição de contato com embaixadores.




