Reino Unido e Alemanha assinam maior tratado militar desde 1945

O acordo reflete a preocupação crescente com a agressão da Rússia.


O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, assinaram nesta quinta-feira (17), em Londres, um tratado anglo-alemão histórico que prevê assistência mútua de defesa em caso de ataque armado.

Segundo o site americano Politico, o pacto é o mais significativo entre os dois países desde 1945. A Bloomberg destacou que o acordo faz parte de uma redefinição mais ampla das relações bilaterais, impulsionada por preocupações crescentes com a agressão militar da Rússia e incertezas quanto ao comprometimento dos Estados Unidos com a OTAN sob a liderança do presidente Donald Trump.

Embora fortaleça obrigações já previstas na OTAN, autoridades dos dois governos ressaltaram que o tratado não substitui o princípio de defesa coletiva previsto no Artigo 5 da aliança.

De acordo com a BBC, Starmer classificou o acordo como um “documento histórico que realmente mede o quão próximos nossos países estão e nossa ambição para o futuro”. Merz afirmou ter ficado “surpreso” ao saber que este é o primeiro tratado desse tipo desde a Segunda Guerra Mundial. “Tínhamos vocês na União Europeia e achávamos que era o suficiente, mas agora estamos aprendendo que não é o suficiente, então temos que fazer mais a respeito”, disse.

Assinado durante cerimônia no Museu Victoria and Albert, o tratado é resultado de entendimentos iniciados por Starmer e o então chanceler Olaf Scholz, em Berlim, em 2023. Marca um aprofundamento das relações pós-Brexit e uma crescente convergência estratégica entre Londres e Berlim.

Entre os principais pontos do tratado está o compromisso de desenvolver, ao longo da próxima década, um novo sistema de mísseis de longo alcance, o Deep Precision Strike, com alcance superior a 2.000 quilômetros, o que deverá impulsionar investimentos significativos nos setores de defesa europeus.

O texto não menciona armas nucleares, mas o acordo é relevante para a Alemanha, que não possui arsenal nuclear próprio e depende da proteção dos EUA, do Reino Unido e da França.

O tratado também contempla temas ligados ao Brexit, com acordos sobre comércio, transporte e migração irregular. Segundo comunicado do gabinete de Starmer, a Alemanha aprovará legislação até o fim do ano para criminalizar o auxílio à migração irregular com destino ao Reino Unido.