O Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviou uma carta ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em reação às decisões judiciais que resultaram no bloqueio de plataformas digitais americanas em território brasileiro, entre elas o Rumble.
A informação foi revelada pelo The New York Times, que afirmou ter tido acesso ao conteúdo do documento. Segundo o jornal, o governo norte-americano criticou diretamente as decisões de Moraes, argumentando que, embora o Brasil tenha o direito de aplicar suas leis no ambiente digital, não pode exigir que empresas sediadas nos EUA cumpram ordens judiciais emitidas por autoridades brasileiras.
O ponto central da contestação foi a suspensão do Rumble em fevereiro de 2025. A medida foi determinada por Moraes após a plataforma descumprir ordens como a remoção do perfil do jornalista Allan dos Santos, o bloqueio de repasses financeiros a ele e a nomeação de um representante legal no Brasil.
A rede chegou a ser restabelecida, mas voltou a ser suspensa. A empresa alegou falta de representação legal no país e acionou a Justiça americana, que decidiu que o Rumble não é obrigado a acatar as ordens do STF.
A carta do Departamento de Justiça dos EUA surge em meio ao endurecimento das críticas por parte do governo de Donald Trump à atuação de Moraes. Durante audiência no Congresso, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que sanções contra o ministro brasileiro estão sendo analisadas e que há “grande possibilidade” de aplicação.
Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro defendem a adoção da Lei Magnitsky contra Moraes. Se isso ocorrer, o ministro poderá ter o visto suspenso e sofrer sanções financeiras, como o congelamento de bens nos Estados Unidos.
O CEO do Rumble, Chris Pavlovski, também reagiu. Em publicação na rede X, ironizou: “Será que já é hora do Rumble voltar ao ar no Brasil?”.




