A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste domingo (25) deve provocar uma reversão no mercado financeiro, após a valorização dos ativos brasileiros registrada durante a campanha. Os investidores esperavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), cenário que impulsionou a Bolsa e contribuiu para a queda do dólar.
No mercado futuro, ativos brasileiros negociados no exterior registraram fortes perdas na noite de domingo. Por volta das 21h38, o contrato futuro do real com vencimento em novembro recuava 11,29%, enquanto o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, caía 18,31%.
As ações da Petrobras negociadas nos Estados Unidos desvalorizavam 12,92%. Os papéis do Itaú Unibanco recuavam 12,72%, enquanto os do Bradesco caíam 12,29%. A Vale registrava queda de 3,95%, enquanto a Ambev recuava 0,61%.
Analistas projetam que a reação poderá continuar no pregão desta segunda-feira (26), com pressão de alta sobre o dólar e os juros futuros, além de queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira.
Segundo Luiz Ferreira, diretor do banco suíço EFG para as Américas, o mercado poderá devolver parte dos ganhos recentes diante das perspectivas para as contas públicas e das dificuldades de governabilidade. A avaliação também considera a possibilidade de os juros futuros voltarem aos níveis anteriores ao primeiro turno.
A preocupação dos investidores está relacionada à continuidade dos déficits públicos e à ausência de ajustes fiscais. A percepção de maior risco pode elevar os juros exigidos para financiar o governo, encarecer o crédito e pressionar as ações das empresas.
Desde agosto, quando as candidaturas de Lula e Flávio foram confirmadas, a Bolsa brasileira acumulava alta de 15,3%, enquanto o dólar havia recuado cerca de 2%.
Uma pesquisa do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado indicou que 80% esperavam uma queda superior a 5% do Ibovespa caso Lula vencesse. No câmbio, 63% projetavam uma desvalorização superior a 5% do real, enquanto 67% previam uma alta superior a 100 pontos-base nos juros futuros do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029.




