Uma forte liquidação global de títulos públicos se aprofundou nesta quinta-feira (1º), elevando os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos ao maior nível desde 2002 e aumentando a pressão sobre as finanças públicas diante da alta dos preços do petróleo.
O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 5,34%, maior patamar desde 2002, antes de recuar. O movimento ocorre em meio à preocupação com a inflação, o aumento dos custos de energia, o elevado endividamento público e as perspectivas de juros mais altos.
No Reino Unido, o rendimento dos títulos de 30 anos ultrapassou 6% pela primeira vez desde 1998. Na França, o rendimento dos papéis de 10 anos se aproximou de 5%, enquanto os juros dos títulos japoneses também avançaram para níveis não vistos em décadas.
O petróleo Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 100 por barril, reforçando as preocupações com a inflação. O aumento dos custos de energia pode elevar as expectativas de juros e reduzir a demanda por títulos públicos, pressionando ainda mais seus rendimentos.
Analistas também apontam fatores técnicos para a intensificação das vendas. Fundos de hedge e outros grandes investidores podem ser obrigados a reduzir posições em títulos de longo prazo para compensar perdas em outras partes de suas carteiras ou encerrar operações deficitárias.
A turbulência também atingiu as bolsas de valores. A alta dos rendimentos dos títulos públicos aumenta os custos de financiamento e pode reduzir a atratividade relativa das ações e de outros ativos de risco.
Os mercados vêm sendo pressionados há meses pelas preocupações com a inflação decorrentes do choque energético no Oriente Médio, iniciado após a guerra entre Estados Unidos e Irã. Ao mesmo tempo, dados de uma economia americana ainda resiliente e o aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA) e infraestrutura de data centers contribuem para as expectativas de juros elevados por mais tempo.
A volatilidade também chegou ao mercado de crédito. Os spreads de títulos corporativos europeus aumentaram, refletindo o temor de que a instabilidade dos mercados de dívida soberana se espalhe para o financiamento das empresas.




