Chefes da OpenAI, Anthropic e Hugging Face, três das principais empresas de inteligência artificial do mundo, participaram, na quarta-feira (23), de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. O encontro foi convocado pela França, que preside o órgão, em meio a alertas sobre os riscos associados ao avanço de sistemas de IA cada vez mais poderosos.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que o desenvolvimento da tecnologia exige cuidados para evitar riscos à humanidade. “Se mal gerenciada, acredito até que a IA poderia representar um risco para a humanidade como um todo”, disse.
Sam Altman, CEO da OpenAI, defendeu a cooperação internacional e afirmou que decisões sobre o futuro da tecnologia não devem ficar restritas às empresas do setor. “Para que a IA seja democrática, as decisões mais importantes não podem ser tomadas apenas por laboratórios em São Francisco”, declarou.
Segundo Altman, a regulamentação da inteligência artificial deve ocorrer por meio de processos democráticos e com a participação de governos responsáveis perante suas populações.
“Ao longo da história, houve momentos em que países que competem entre si — e nem sempre nutrem grande simpatia mútua — uniram-se em prol de interesses comuns e do bem coletivo diante de uma nova e poderosa tecnologia. Acreditamos que este deve ser um desses momentos”, afirmou.
O CEO da Hugging Face, Clement Delangue, destacou o uso de ferramentas de IA na defesa contra ataques cibernéticos. “Fomos atacados por IA, mas, o que é mais importante, nos defendemos com IA”, disse, em referência a uma invasão atribuída a modelos da OpenAI e revelada em julho.
Estados Unidos e China divergem sobre a IA. O conselheiro de ciência e tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que “não se pode governar uma tecnologia que não se compreende”. Segundo ele, a ONU e outros organismos internacionais devem priorizar o compartilhamento de melhores práticas para o desenvolvimento de capacidades nacionais, em vez de estabelecer um modelo regulatório global.
A posição está alinhada à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feita na terça-feira (22), durante a Assembleia Geral da ONU. Trump afirmou que “rejeita qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar” a inteligência artificial.
O embaixador da China na ONU, Fu Cong, defendeu o aprimoramento das estruturas regulatórias, das respostas a emergências e da cooperação internacional sobre IA.
“Cabe à comunidade internacional trabalhar em estreita colaboração, atribuir igual importância ao desenvolvimento e à segurança, e conduzir o desenvolvimento da IA para fins positivos, para o bem e em prol da humanidade”, afirmou.




