Em texto publicado na quinta-feira (10), a revista britânica The Economist afirma que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou de “defensor” da democracia a uma ameaça ao regime democrático brasileiro. Segundo a publicação, a atuação da Corte contra a tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu lugar a uma crise envolvendo ministros do tribunal e o escândalo do Banco Master.
Embora o foco seja o STF, a revista também menciona o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
O principal alvo das críticas é o ministro Alexandre de Moraes. A Economist afirma que ele tomou “decisões questionáveis” como relator de processos relacionados à trama golpista e “menosprezou” a proposta de um Código de Ética para o STF.
A revista também critica o Inquérito das Fake News, do qual Moraes deixou a relatoria na quarta-feira (9), por decisão do presidente do STF, Edson Fachin. Segundo a publicação, a confidencialidade e a duração do inquérito dificultam saber quantas contas nas redes sociais foram “censuradas” por decisões do ministro.
Sobre o caso Master, a Economist cita o contrato entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, além de mensagens atribuídas ao ministro e a Vorcaro. Segundo a publicação, o banqueiro teria pedido orientações sobre quando deixar o Brasil para evitar uma possível prisão. Moraes nega qualquer irregularidade.
A revista também aborda o conflito entre Moraes e André Mendonça, iniciado após a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF). Dois dias depois, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no Inquérito das Fake News por suposto “abuso de autoridade”.
A Economist, porém, afirma que Moraes “tem um ponto” ao questionar a atuação de Mendonça. A publicação menciona que o ministro ainda não divulgou provas contra outros magistrados que tiveram relações com Vorcaro e cita acusações da PF de interferência na coleta de provas.
Para a revista, a “disfunção” no STF, os “equívocos processuais de Mendonça” e as “tentativas descaradas de Moraes de se proteger” podem comprometer a investigação do caso Master.
Segundo a Economist, uma eventual desmobilização das apurações poderia beneficiar políticos, entre eles Flávio Bolsonaro, apontado como o candidato mais forte da direita brasileira à Presidência.
A publicação conclui que a crise no STF pode atingir a própria democracia brasileira. “O uso indevido de suas instituições poderia minar a confiança na democracia mais do que Bolsonaro jamais fez”, afirma.




