Escritório Barci de Moraes firmou contrato de R$ 50 mi com Vorcaro

Já havia um contrato de R$ 131 milhões com o escritório.


Além do contrato de aproximadamente R$ 131 milhões já conhecido com o Banco Master, o escritório de advocacia Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, com uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, segundo relatório da Polícia Federal (PF).

O documento, datado de 12 de maio de 2025, foi firmado entre o escritório e a Viking Participações Ltda., empresa que tinha Vorcaro como sócio. O contrato foi localizado pela PF em mensagens trocadas entre o então banqueiro e o advogado Leonardo Palhares.

O relatório foi encaminhado ao STF e teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (1º). O material também foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.

Segundo o documento, o contrato previa a prestação de serviços e o pagamento de honorários advocatícios, incluindo consultoria nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, atuação em inquéritos civis e criminais do Ministério Público (MP) e consultoria estratégica em processos judiciais.

O acordo estabelecia o pagamento de até R$ 50 milhões líquidos, descontados os impostos, ao longo de 36 meses. A quitação poderia ocorrer por transferência bancária ou mediante dação em pagamento de bens móveis, imóveis ou serviços.

Em 16 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares encaminhou a Vorcaro duas propostas para a quitação do contrato. Uma delas previa o pagamento de R$ 40 milhões por meio da transferência de cotas de duas aeronaves, além de R$ 10 milhões referentes ao reembolso de despesas relacionadas ao uso dos bens.

De acordo com a PF, os ativos estavam vinculados às empresas F24 e F53. A primeira possuía um jato Legacy 650, enquanto a segunda estava em processo de aquisição de um helicóptero Airbus Helicopters EC 155 B1.

Segundo um dos sócios de Vorcaro, identificado como Marcos, as aeronaves já eram utilizadas por Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes.

Uma das propostas previa a transferência dos bens com possibilidade de recompra futura, mas foi rejeitada por Vorcaro. Em uma mensagem, o empresário afirmou: “Opção 1 não é o negócio” e acrescentou que “os ativos são deles… já”.

Os documentos divulgados nesta terça-feira não esclarecem se a transferência das aeronaves chegou a ser realizada. Registros da Junta Comercial de São Paulo não apresentam documentos que comprovem a transferência das cotas.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que mantinha apenas uma contratação com o Banco Master e negou qualquer transferência ou substituição contratual. Segundo o escritório, a proposta relacionada às aeronaves não foi aceita, nenhum documento foi assinado e o contrato original foi encerrado com a liquidação do banco.


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