China planeja reduzir dependência da soja brasileira até 2030

A China é atualmente o principal destino da soja brasileira.


A China sinaliza a intenção de reduzir sua dependência das importações de produtos do agronegócio brasileiro, especialmente de soja. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 87,1 milhões de toneladas do grão para o mercado chinês.

Segundo Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja, Pequim já desenvolve estratégias para diminuir essa dependência nos próximos anos. Em entrevista ao programa Record News Rural, o especialista afirmou que o plano plurianual chinês para o período de 2026 a 2030 prevê uma redução de aproximadamente 25% nas importações de soja.

Nepomuceno explicou que a China já iniciou mudanças na composição da alimentação animal, reduzindo o uso de farelo de soja e aumentando a utilização de aminoácidos artificiais, setor no qual o país possui grande capacidade de produção.

De acordo com o pesquisador, a estratégia chinesa está relacionada à busca por maior segurança alimentar e à diversificação de fornecedores. O país asiático pretende ampliar as relações comerciais com parceiros considerados mais próximos geograficamente, como Índia e Rússia.

“A China, que tem 1,4 bilhão de pessoas para alimentar, precisa ter o alimento mais próximo deles”, afirmou Nepomuceno, ao destacar que questões geopolíticas também influenciam as decisões de Pequim.

A China é atualmente o principal destino das exportações brasileiras de soja, e uma eventual redução da demanda pode representar novos desafios para o setor agrícola nacional.