Na manhã desta quinta-feira (18), a Ucrânia realizou a maior ofensiva com veículos aéreos não tripulados (drones) contra Moscou desde o início do conflito iniciado pela Rússia em 2022.
O ataque em larga escala teve como principal alvo a refinaria de petróleo da Gazprom Neft, localizada no distrito de Kapotnya, na zona sudeste da capital russa, a cerca de 15 quilômetros do Kremlin, sede do governo russo.
Em resposta ao ocorrido, autoridades e lideranças russas manifestaram forte desaprovação e indicaram que a ofensiva ucraniana reduz as perspectivas de diálogo entre Moscou e Kiev. O governo russo, que sustenta a posição de que a Ucrânia está em desvantagem no conflito, reforçou a exigência de que Kiev ceda territórios antes que qualquer negociação de paz seja formalmente debatida.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por meio do chanceler Sergei Lavrov, reiterou ameaças de retaliação em larga escala, com ataques massivos contra o território ucraniano.
Internamente, o ataque ucraniano gerou reações severas entre setores de linha-dura e figuras públicas do país. O deputado da Duma Estatal russa e tenente-general reformado Andrey Gurulyov declarou à emissora RTVI que as forças russas precisam “atingir o inimigo impiedosamente, sem pensar duas vezes”.
Paralelamente, setores ultraconservadores chegaram a cobrar publicamente do Kremlin uma resposta militar ainda mais drástica, mencionando o possível uso do arsenal estratégico russo.
De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, os sistemas de defesa aérea interceptaram um total de 555 drones em todo o país, sendo aproximadamente 200 deles abatidos na região de Moscou. Apesar das interceptações, múltiplos drones conseguiram atingir o complexo petrolífero, provocando grandes incêndios e colunas de fumaça preta que cobriram o céu da região sul da cidade por horas.
O incidente forçou a paralisação completa das operações da refinaria, responsável pelo fornecimento de mais de um terço do combustível consumido na região metropolitana da capital russa.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que as forças de defesa atuaram para repelir o ataque em massa e conter os danos. O governador da região metropolitana, Andrei Vorobyov, relatou que os destroços também atingiram áreas residenciais e comerciais periféricas, resultando em 17 pessoas feridas.
As restrições de segurança causaram a suspensão temporária e o cancelamento de mais de 170 voos nos principais aeroportos da capital, incluindo o aeroporto de Sheremetyevo, o maior da Rússia.
Em pronunciamento oficial, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou as operações aéreas como uma resposta proporcional e legítima às investidas da Rússia contra a infraestrutura de seu país, declarando: “Nós não queremos esta guerra, nunca quisemos, e todos sabem disso, e nossos parceiros também sabem. Mas, se a Ucrânia arder, Moscou também irá arder.”
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, reforçou que o objetivo das incursões é pressionar o governo de Vladimir Putin a aceitar termos diplomáticos para encerrar as hostilidades.




