A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno realizado no último domingo (25), foi acompanhada por uma elevação das expectativas de inflação do mercado financeiro.
Um levantamento da corretora BGC Liquidez, realizado com aproximadamente 30 participantes do mercado, aponta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá alcançar 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028.
As projeções representam uma piora em relação ao último boletim Focus divulgado pelo Banco Central antes das eleições, que estimava uma inflação de 4,34% em 2027 e de 3,75% em 2028. A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Entre os fatores apontados pelos analistas estão as preocupações com o aumento dos gastos públicos e a desvalorização do real. Em duas semanas, o dólar passou de R$ 4,99 para R$ 5,44, movimento que pode pressionar os preços dos produtos importados, especialmente os combustíveis.
Outro ponto de preocupação é a situação das contas públicas. Estimativas de economistas indicam a necessidade de um ajuste fiscal de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos para conter o avanço da dívida pública, que se aproxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB).
O cenário também reduziu as expectativas de queda dos juros. A taxa Selic permanece em 13,75% ao ano, e o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 3 e 4 de novembro para definir os próximos passos da política monetária. O mercado considera provável a manutenção da taxa na próxima decisão.




