Principal general da China vazou segredos de Pequim para os EUA

Zhang Youxia foi acusado de vazar segredos nucleares de Pequim aos EUA.


O regime da China acusou o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, de vazar segredos nucleares de Pequim aos Estados Unidos, colocando em risco operações militares estratégicas, segundo revelou o jornal americano The Wall Street Journal (WSJ). A informação foi divulgada após o anúncio, neste fim de semana, de uma investigação contra o oficial, considerado o “número 2” da cadeia de comando militar chinesa.

Além das suspeitas de vazamento de informações sensíveis, Zhang também é investigado por aceitar subornos em troca de atos oficiais, incluindo a promoção de um oficial ao cargo de ministro da Defesa, de acordo com pessoas familiarizadas com o caso, segundo o WSJ. A publicação cita fontes anônimas que afirmam ter conhecimento dos detalhes de uma sessão informativa de alto nível, da qual teriam participado oficiais do mais alto escalão das Forças Armadas chinesas.

Segundo a reportagem, a acusação de vazar “dados técnicos fundamentais sobre as armas nucleares da China” aos EUA estaria relacionada à investigação aberta na semana passada contra Gu Jun, ex-diretor-geral da estatal CNNC, responsável pelos programas nucleares do país, tanto civis quanto militares.

Não foram divulgados detalhes adicionais sobre as supostas falhas de segurança atribuídas a Zhang, vice-presidente sênior da Comissão Militar Central, órgão máximo de comando do Exército chinês. O cargo o coloca como o segundo na hierarquia militar do país, atrás apenas do líder chinês, Xi Jinping, que preside a comissão. Zhang também integra o Politburo, segundo escalão de poder do Partido Comunista Chinês (PCCh).

Outras acusações contra o general incluem “formar facções políticas”, “abusar de sua autoridade” dentro da Comissão Militar Central e “aceitar subornos vultosos” para facilitar promoções, como a de Li Shangfu, que ocupou o cargo de ministro da Defesa em 2023 antes de ser afastado. Segundo o Journal, autoridades chinesas teriam confiscado dispositivos eletrônicos de oficiais ligados a Zhang e ao general Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto, também alvo de investigações. “Milhares de oficiais com laços com ambos se tornaram alvos potenciais” das apurações, afirma a reportagem.

Um editorial publicado no último domingo (25) pelo jornal oficial do Exército chinês acusou Zhang e Liu de “enfraquecer” a autoridade de Xi, agravar problemas de corrupção e “prejudicar” a preparação para o combate antes do centenário, em 2027, da fundação do Exército de Libertação Popular. Segundo o Pentágono — o Departamento de Guerra dos Estados Unidos —, Pequim busca, até lá, capacidade para uma eventual invasão da ilha democrática de Taiwan.

Zhang era considerado peça-chave nos planos de modernização das Forças Armadas e aliado próximo de Xi. Desde que chegou ao poder, em 2012, o líder chinês promove sucessivos expurgos no alto comando militar, com o objetivo declarado de combater a corrupção e reforçar a lealdade ao Partido Comunista. Em declaração ao WSJ, Liu Pengyu, porta-voz da Embaixada da China em Washington, afirmou que a investigação reforça a política de “uma abordagem de cobertura total e tolerância zero no combate à corrupção”.