O Banco Master manteve um contrato no valor de R$ 250 mil mensais com o escritório de advocacia da família do ex-ministro da Justiça do governo Lula, Ricardo Lewandowski. Segundo apuração do portal Metrópoles, o acordo de “consultoria jurídica” com o escritório Lewandowski Advogados vigorou de agosto de 2023 a setembro de 2025, período que incluiu a passagem de Lewandowski pelo Ministério da Justiça no governo atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O total desembolsado teria superado R$ 6 milhões ao longo de dois anos.
De acordo com a reportagem, a indicação de Lewandowski ao Banco Master ocorreu por intermédio do líder do governo petista no Senado, Jaques Wagner. Ao Metrópoles, Wagner afirmou ter indicado o ex-ministro ao banco por considerá-lo “um bom jurista”. A saída de Lewandowski do Ministério da Justiça teria como pano de fundo sua relação prévia com a instituição financeira, da qual passou a integrar um comitê após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF).
O próprio Lewandowski confirmou ao Metrópoles a existência do vínculo profissional, afirmando que a contratação ocorreu após sua saída do STF, em 2023. Em janeiro de 2024, ao ser nomeado ministro da Justiça, ele deixou de atuar como advogado, mas o contrato permaneceu em vigor. A partir de então, segundo o ex-ministro, os serviços de “consultoria jurídica”, de “caráter estratégico”, passaram a ser prestados por seus filhos, Enrique e Yara.
Em nota, o Banco Master informou que a relação ocorreu “dentro dos parâmetros profissionais”.
Na segunda-feira (26), também veio a público a informação de que o presidente Lula manteve, em 2024, uma reunião fora da agenda oficial com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O encontro foi revelado inicialmente pelo Metrópoles.
O episódio do contrato milionário com Lewandowski e a reunião fora da agenda oficial evidenciam o nível de acesso de Vorcaro a círculos de alto escalão em Brasília. Na semana passada, Lula afirmou que “falta vergonha na cara” para quem defende o “sujeito do Master”. Em depoimento à Polícia Federal (PF), Vorcaro citou, entre as autoridades com quem se reuniu, apenas o governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha, sem mencionar Lula ou o então ministro da Justiça.




