O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil manteve, nesta quarta-feira (28), a taxa básica de juros da economia inalterada em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. A decisão veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas do mercado financeiro e marcou a quinta manutenção consecutiva da taxa Selic.
A taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias, que afetam de forma mais intensa a população de menor renda.
De acordo com projeções do mercado financeiro, a Selic, atualmente fixada pelo Banco Central com o objetivo de controlar a inflação, deve começar a recuar apenas em março deste ano, quando poderá ser reduzida para 14,5% ao ano.
Para definir a política de juros, a autoridade monetária atua com base no sistema de metas de inflação. Quando as projeções estão em linha com o objetivo estabelecido, há espaço para a redução da taxa. Caso estejam acima da meta, o Copom tende a manter ou elevar a Selic.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo central de inflação foi fixado em 3%, considerado cumprido caso o índice oscile entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação permanecendo por seis meses consecutivos acima do centro da meta, em junho, o Banco Central foi obrigado a divulgar uma carta pública explicando os motivos do descumprimento.
Ao definir a taxa Selic, a instituição considera principalmente as projeções futuras de inflação, e não a variação recente dos preços, uma vez que os efeitos das mudanças nos juros levam de seis a 18 meses para se refletirem plenamente na economia. No momento, por exemplo, o Banco Central já calibra sua política com foco na meta prevista para o terceiro trimestre de 2027.
Mais cedo, também nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022.




