A Austrália reafirmou o compromisso de devolver à propriedade nacional o Porto de Darwin, no norte do país, atualmente arrendado por 99 anos a uma empresa chinesa. A declaração foi feita nesta quarta-feira (28) pelo primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, após o embaixador da China em Canberra alertar para possíveis represálias comerciais caso a concessão seja revertida.
Em 2015, o governo do Território do Norte vendeu o Porto de Darwin à empresa chinesa Landbridge por 506 milhões de dólares australianos, em uma operação que gerou críticas dos Estados Unidos. A concessão ocorreu poucos anos depois de Washington ter destacado o primeiro contingente rotativo de fuzileiros navais americanos para Darwin. Desde então, Estados Unidos e Austrália vêm ampliando bases aéreas no norte australiano para acomodar bombardeiros norte-americanos.
Durante visita oficial ao Timor-Leste, país asiático ao norte da Austrália, Albanese afirmou que o governo australiano deixou clara a intenção de que o porto retorne ao controle nacional. “Estamos empenhados em garantir que esse porto volte para as mãos australianas, porque isso é do nosso interesse nacional”, declarou.
A Landbridge Australia, atual operadora do porto, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência de notícias Reuters. Em novembro de 2025, contudo, a empresa afirmou que o porto se encontrava em uma posição financeira sólida.
O embaixador da China em Canberra, Xiao Qian, afirmou a jornalistas, durante uma coletiva de imprensa anual, que Pequim adotaria medidas para proteger os interesses da empresa chinesa caso a venda do porto fosse imposta. “Caso a Landbridge seja obrigada a deixar aquele porto, creio que isso também poderá afetar o investimento, a cooperação e o comércio substanciais entre as empresas chinesas e aquela região da Austrália”, disse Xiao, segundo a emissora Australian Broadcasting Corporation (ABC).
Não é a primeira vez que o diplomata chinês critica a promessa eleitoral de Albanese, feita no ano passado, de retomar o controle do porto estrategicamente localizado. Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que “a empresa chinesa em questão obteve a concessão do Porto de Darwin por meios de mercado” e ressaltou que “seus direitos e interesses legítimos devem ser totalmente protegidos”.




