Europa depende dos EUA para sua defesa, afirma chefe da OTAN

“Continuem sonhando. Não conseguem”, afirmou Rutte aos europeus.


O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou nesta segunda-feira (26) que a União Europeia (UE), ou a Europa como um todo, não conseguiria se defender de uma agressão externa sem o apoio dos Estados Unidos. Veja o vídeo aqui.

A declaração ocorre em meio às tensões entre Washington e outros países da aliança militar do Ocidente, relacionadas aos planos do presidente norte-americano, Donald Trump, para a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, que os EUA consideram estratégico para seus objetivos de segurança nacional.

“Se alguém ainda pensa que a União Europeia, ou a Europa como um todo, consegue se defender sem os EUA, continue sonhando. Não consegue”, disse Rutte a eurodeputados das comissões de Relações Exteriores e de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica, segundo a Agence France-Presse (AFP).

Rutte afirmou ainda que, caso a Europa Ocidental não queira depender das garantias de segurança americanas, teria de elevar seus gastos com defesa — especialmente com armas nucleares — para 10% do PIB, o dobro do patamar que os integrantes da OTAN concordaram em investir até 2035 — 5% —, em acordo firmado no ano passado após pressão de Trump.

“[Sem os Estados Unidos,] perderíamos o principal garantidor da nossa liberdade, que é o guarda-chuva nuclear americano”, disse Rutte nesta segunda-feira. “Então, boa sorte”, completou, em clara indireta aos líderes europeus.

Ainda de acordo com a AFP, o ex-primeiro-ministro da Holanda rejeitou uma proposta do comissário de Defesa da União Europeia, Andrius Kubilius, para que uma força de defesa europeia substitua as tropas americanas no continente.

“Isso vai complicar ainda mais as coisas. Acho que [o ditador russo Vladimir] Putin iria adorar isso. Então, pensem melhor”, afirmou.

Sobre um eventual acordo envolvendo a Groenlândia, cuja “estrutura” teria sido combinada com a OTAN, segundo Trump anunciou na semana passada, Rutte disse que a aliança “assumiria mais responsabilidade pela defesa do Ártico”, mas ressaltou que não está em posição de negociar “em nome da Dinamarca; portanto, não negociei e não negociarei”.

O secretário-geral da OTAN também minimizou o mal-estar entre os EUA e aliados após Trump ridicularizar, na semana passada, o papel de forças de outros países na guerra do Afeganistão (2001–2021).

“Para cada dois soldados americanos que pagaram o preço máximo, um soldado de um aliado ou parceiro — um aliado ou parceiro da OTAN — não voltou para casa”, disse Rutte. “Sei que os Estados Unidos são muito gratos por todos os esforços.”