Trump e líderes assinam Conselho da Paz para Gaza

25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz de Trump.


Com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente, nesta quinta-feira (22), o seu “Conselho da Paz”, estrutura criada para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e coordenar a reconstrução do território palestino.

O lançamento ocorreu durante uma cerimônia no Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em Davos, na Suíça. No evento, Trump voltou a exaltar realizações de seu governo e discursou ao lado de cerca de 20 dos 60 líderes mundiais que aceitaram participar do conselho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado para integrar a iniciativa, mas ainda não respondeu ao convite. Já o presidente da Argentina, Javier Milei, participou da cerimônia.

Em seu discurso, Trump classificou o momento como um “dia muito empolgante” e voltou a criticar a ONU — que, segundo críticos, ele buscaria substituir com a criação do Conselho da Paz.

“Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou Trump. Em seguida, disse que o novo conselho dialogará “com muitos outros, incluindo a ONU”.

A proposta apresentada pelo presidente norte-americano prevê que o conselho não se dedique apenas a Gaza, mas que tenha início no território palestino, que, segundo Trump, será “desmilitarizado e lindamente reconstruído”.

Durante a cerimônia, Trump assinou o documento que formaliza a criação do conselho. Também assinaram outros líderes convidados que estavam no palco, entre eles:

• o presidente da Argentina, Javier Milei;

• o presidente do Paraguai, Santiago Peña;

• o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev;

• o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán;

• o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto;

• a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou e afirmou que o grupo será “um conselho não só da paz, mas da ação”. Na mesma ocasião, Jared Kushner, conselheiro de Trump e genro do presidente americano, apresentou o plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza.

“É uma ótima localização para o mercado imobiliário, perto do mar”, disse Trump.

Segundo o estatuto do Conselho da Paz, obtido pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo e amplos poderes. Países interessados em um assento permanente deverão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões), recursos que serão administrados pelo presidente dos EUA. A comunidade internacional teme que a iniciativa funcione como uma “ONU paralela” e enfraqueça o papel das Nações Unidas.

O conselho terá caráter consultivo e assessorará o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês, no Cairo, no Egito. A Casa Branca afirmou que a entidade “ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza”.

Na quarta-feira (21), a Casa Branca informou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz, entre eles Israel, Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia e Egito. Trump também declarou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, aceitou o convite, embora o presidente russo tenha afirmado que ainda avalia a proposta.