Proposta da OTAN prevê controle limitado dos EUA na Groenlândia, diz NYT

Dinamarca, Groenlândia e EUA querem conter a influência da Rússia e da China.


Os Estados Unidos e a OTAN discutem um modelo de acordo no qual a Dinamarca concederia aos norte-americanos o controle sobre pequenas porções de terra da Groenlândia, informou o jornal americano The New York Times (NYT) nesta quarta-feira (21).

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que houve avanço nas negociações de um futuro acordo envolvendo a aliança militar e a Groenlândia. As declarações foram feitas após uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.

Segundo o The New York Times, três autoridades ouvidas sob condição de anonimato relataram que a proposta de conceder áreas limitadas da ilha aos Estados Unidos foi discutida durante o encontro. A iniciativa permitiria a instalação de bases militares norte-americanas na região.

Na prática, de acordo com o jornal, os Estados Unidos passariam a exercer controle direto sobre áreas específicas do território groenlandês, sem que houvesse a transferência integral da soberania da ilha. A proposta, ainda segundo o The New York Times, vem sendo defendida por Rutte.

Duas das fontes compararam o modelo a um acordo adotado pelo Reino Unido em Chipre, onde Londres mantém bases militares consideradas território britânico. Ainda não está claro, segundo o jornal, se essa possibilidade já foi incluída na estrutura de acordo anunciada por Trump.

De acordo com o presidente norte-americano, a estrutura delineada nas negociações atende aos interesses dos Estados Unidos e de todos os países-membros da OTAN. Trump não detalhou os termos do entendimento, mas indicou que as conversas envolvem questões estratégicas relacionadas à segurança nacional dos Estados Unidos e da OTAN, bem como à presença militar no Ártico.

O presidente americano afirmou ainda que há discussões adicionais em andamento sobre o chamado “Domo de Ouro” em relação à Groenlândia, sem fornecer mais detalhes sobre o projeto.

O Domo de Ouro é uma estrutura militar planejada pelos Estados Unidos para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano.

Posteriormente, em entrevista, Trump disse que explicará os detalhes das negociações em outro momento e afirmou que o acordo durará “para sempre”.

Segundo um porta-voz da OTAN, as discussões entre os países da aliança sobre a estrutura mencionada por Trump terão como foco garantir a segurança do Ártico por meio de um esforço coletivo, com atenção especial aos sete membros que possuem território na região. O porta-voz acrescentou que Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos avançarão com o objetivo de impedir que Rússia e China, ambas as maiores ameaças ao Ocidente, obtenham qualquer presença na ilha.