França pede exercício militar da OTAN na Groenlândia

Segundo o comunicado, Paris está pronta para contribuir com o exercício.


A França solicitou, nesta quarta-feira (21), a realização de um exercício militar da OTAN na Groenlândia, informou o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron. Segundo o comunicado oficial, Paris está “pronta para contribuir” com a iniciativa.

O pedido ocorre em meio à investida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tornar a Groenlândia parte do território norte-americano, sob a justificativa de segurança nacional. Atualmente, a ilha no Ártico integra o Reino da Dinamarca. O movimento provocou uma escalada de tensões sem precedentes entre a Casa Branca e a União Europeia.

Na terça-feira (20), Trump divulgou uma mensagem privada enviada por Macron, na qual o presidente francês questiona a iniciativa relacionada à Groenlândia. “Não entendo o que você está fazendo”, disse Macron na conversa revelada.

Diante do agravamento do impasse, líderes europeus marcaram uma reunião de emergência para quinta-feira (22), em Bruxelas. Paralelamente, Macron se ofereceu a Trump para organizar uma reunião do G7 em Paris, na tarde do mesmo dia. O G7 reúne os países mais industrializados e democráticos do mundo: Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, além da União Europeia.

Também na terça-feira, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu que a população da ilha começasse a se preparar para uma eventual invasão militar. Em entrevista coletiva, Nielsen afirmou que as autoridades locais estão se preparando para uma possível incursão dos Estados Unidos.

“O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, declarou o premiê.

Segundo a agência Bloomberg, Nielsen informou que seu governo ordenou a criação de uma força-tarefa, composta por autoridades locais, que deverá elaborar orientações à população sobre como se preparar para uma eventual invasão, incluindo recomendações como manter estoques de alimentos em casa. O governo também prepara panfletos com instruções sobre o que fazer em caso de uma incursão militar.

Embora tenha afirmado considerar improvável um conflito armado, Nielsen ressaltou que não descarta essa possibilidade. “Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade”, disse. “No entanto, precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a OTAN, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior.”