Economia chinesa cresce 5% em 2025 e segue em desaceleração

Os dados apontam para crescimento desacelerando ao ano na China.


Há cerca de 10 anos, a segunda maior economia do mundo, a China, crescia de 7% a 8% ao ano. Hoje, o mundo começa a ver um ponto de inflexão muito importante: Pequim vem desacelerando economicamente a cada ano.

A economia da China cresceu 5% em 2025, atingindo a meta anual estabelecida por Pequim, embora tenha registrado uma das expansões mais fracas das últimas décadas, segundo estatísticas oficiais divulgadas na segunda-feira (19).

O resultado ficou em linha com as expectativas do governo chinês, apesar do impacto da guerra comercial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O desempenho foi sustentado, sobretudo, pelo avanço das exportações, que ajudaram a compensar a fraqueza do consumo interno e a prolongada recessão do setor imobiliário chinês.

Ainda assim, o crescimento permaneceu significativamente abaixo da tendência histórica, de cerca de 8%, observada entre 2000 e 2017. A segunda maior economia do mundo desacelerou para um crescimento anualizado de 4,5% no período entre outubro e dezembro, ante expansões de 4,8% e 5,2% no terceiro e no segundo trimestres, respectivamente.

“De um modo geral, a economia nacional [da China] manteve o ritmo de progresso constante em 2025, apesar das múltiplas pressões, e o desenvolvimento de alta qualidade registrou novas conquistas”, afirmou o Departamento Nacional de Estatísticas da China em comunicado. “Contudo, devemos estar cientes de que o impacto das mudanças no ambiente externo está aumentando; a contradição entre a forte oferta e a fraca demanda no mercado interno é evidente; e inúmeros problemas antigos e novos desafios ainda persistem no desenvolvimento econômico.”

De acordo com os dados oficiais, as exportações impulsionaram a expansão econômica, com aumento de 6,1% no valor total, para 26,989 trilhões de yuans (US$ 3,9 trilhões). O superávit comercial chinês atingiu o recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025, à medida que empresas buscaram novos mercados na Ásia, na África, na América Latina e na Europa para mitigar os efeitos das tarifas impostas por Washington.

Por outro lado, o consumo e o setor imobiliário continuaram a pesar sobre o crescimento. As vendas no varejo cresceram apenas 0,9% em dezembro, na comparação anual, abaixo dos 1,3% registrados no mês anterior, no ritmo mais fraco desde o fim das restrições contra a COVID-19, em 2022.

O investimento em ativos fixos recuou 3,8% no acumulado do ano, com queda de 2,2% nos gastos em infraestrutura e de 17,2% no desenvolvimento imobiliário.

“Os dados do PIB divulgados hoje [segunda-feira] mostram que a missão da China para 2025 foi cumprida, já que o país conseguiu atingir sua meta de crescimento de cerca de 5%”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China. “No entanto, o crescimento desacelerou claramente no segundo semestre do ano e, agora, o foco se volta para como alcançar mais um ano de crescimento sólido em 2026, para dar um bom início ao 15º plano quinquenal.”

Para Dexter Roberts, pesquisador sênior do Atlantic Council, os números evidenciam as dificuldades da China em reduzir sua dependência das exportações. “A China realmente precisa encontrar uma maneira de aumentar a confiança das famílias e das empresas, mas isso simplesmente não está acontecendo”, afirmou. “Quando seu maior patrimônio, o imóvel que você possui, se desvaloriza, as pessoas não se sentem à vontade para gastar. Elas querem economizar para uma emergência no futuro.”