Taxa de natalidade na China cai ao nível mais baixo desde 1949

Pelo 4º ano seguido, o país asiático teve mais mortes que nascimentos.


Más notícias estão vindo da China, o que pode prejudicar as ambições de Pequim de, ao menos, superar os Estados Unidos em Produto Interno Bruto (PIB).

A China intensificou, nos últimos anos, uma ampla gama de políticas para incentivar o aumento da natalidade, incluindo a promoção do parto como um dever cívico, campanhas de planejamento familiar direcionadas a recém-casados e o aumento da carga tributária sobre métodos contraceptivos. Apesar desses esforços, os resultados têm sido amplamente limitados.

Pelo quarto ano consecutivo, o país asiático registrou mais mortes do que nascimentos em 2025. Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (19) indicam que 7,92 milhões de bebês nasceram no ano passado — queda significativa em relação aos 9,54 milhões registrados em 2024. No mesmo período, o número de mortes subiu para 11,31 milhões. A taxa de natalidade caiu para 5,63 nascimentos por mil habitantes, o menor nível desde a fundação da República Popular da China. As estatísticas populacionais foram divulgadas em conjunto com dados econômicos que apontam crescimento de 5% do PIB chinês em 2025.

Embora a queda da natalidade seja um fenômeno global, o impacto é particularmente severo na China, onde a redução do número de nascimentos compromete a futura força de trabalho necessária para sustentar uma população que envelhece rapidamente. A desaceleração econômica agrava esse cenário. “A China enfrenta um grave desafio imposto por uma taxa de natalidade extremamente baixa”, afirmou Wu Fan, professor de políticas familiares da Universidade de Nankai.

A liderança chinesa tem reiterado a necessidade de reverter a tendência. O presidente chinês, Xi Jinping, defendeu a construção de uma “nova cultura de casamento e maternidade”, orientando autoridades a influenciar as percepções dos jovens sobre “amor e casamento, fertilidade e família”. Em resposta, governos locais adotaram medidas controversas, como o monitoramento de ciclos menstruais e diretrizes para reduzir abortos considerados desnecessários do ponto de vista médico.

Grande parte dessas iniciativas tem sido recebida com indiferença ou rejeição pelos jovens. Em 1º de janeiro, entrou em vigor um imposto sobre valor agregado de 13% sobre medicamentos anticoncepcionais e preservativos. Embora a medida não tenha sido apresentada oficialmente como uma política de incentivo à natalidade, foi amplamente interpretada dessa forma. Nas redes sociais chinesas, usuários observaram que o aumento de preço ainda é inferior ao custo de criar um filho e lembraram que os preservativos têm múltiplas finalidades. “Que ‘gênio’ teve essa brilhante ideia?”, escreveu o advogado Ke Chaozhen, de Guangdong.

Para muitos jovens, os elevados custos associados à criação de filhos, somados ao alto desemprego juvenil na China, à crise imobiliária e à fragilidade do sistema de proteção social, reforçam a decisão de adiar ou evitar a formação de famílias. “Com os problemas econômicos da China, os jovens podem querer esperar para ver o que acontece, e isso não é uma boa notícia para o aumento da taxa de natalidade”, disse Wang.

A China enfrenta esse desafio antes do previsto, mesmo após flexibilizar a política do filho único para dois filhos e, posteriormente, para três, em 2021. Com menos tempo para ajustar os sistemas de previdência e saúde, o país projeta que a população com 60 anos ou mais alcance cerca de 400 milhões até 2035, ampliando as pressões fiscais e sociais.