Parlamentares republicanos têm intensificado esforços para conter as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Groenlândia, com alguns deles demonstrando uma oposição mais contundente a praticamente todas as ações adotadas pelo governo Trump desde o início do mandato, em janeiro de 2025.
Na semana passada, congressistas discursaram no plenário sobre a importância da OTAN, apresentaram projetos de lei com o objetivo de impedir que os Estados Unidos ataquem a Dinamarca e realizaram viagens a Copenhague para se reunir com autoridades dinamarquesas. Apesar dessas iniciativas, não está claro se as medidas serão suficientes, uma vez que Trump segue insistindo que assumirá o controle da ilha no Ártico.
As declarações do presidente norte-americano elevaram os temores de um eventual enfraquecimento ou colapso da OTAN — aliança de décadas considerada um pilar da presença e da influência dos EUA na Europa e no mundo — e suscitaram questionamentos, no Capitólio americano e em diversos países, sobre os impactos de uma política externa agressiva e isolacionista na ordem internacional por parte do governo Trump.
“Quando a nação militar mais poderosa da Terra ameaça repetidamente seu território por meio de seu presidente, você começa a levar isso a sério”, afirmou o senador Chris Coons, democrata de Delaware, em entrevista à agência Associated Press (AP).
O democrata organizou uma viagem bipartidária à Dinamarca com o objetivo de “amenizar um pouco a situação”, além de promover discussões sobre acordos militares no Ártico. Participaram da missão os senadores Thom Tillis (republicano, da Carolina do Norte) e Lisa Murkowski (republicana, do Alasca). Além disso, parlamentares republicanos se reuniram, em Washington, com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e com a representante da Groenlândia para tratar de acordos de segurança.
Ainda assim, Trump indicou seguir em outra direção. No sábado (17), anunciou que, a partir de fevereiro, pretende impor uma tarifa de importação de 10% sobre produtos de oito países europeus, em razão da oposição dessas nações a seus planos para a Groenlândia. Em publicações nas redes sociais, o presidente americano afirmou que, diante dos modernos sistemas de armas, “a necessidade de ADQUIRIR é especialmente importante”.
Os países europeus ameaçados de tarifas por Trump são:
• Dinamarca;
• Noruega;
• Suécia;
• França;
• Alemanha;
• Reino Unido;
• Países Baixos;
• Finlândia.
Lideranças republicanas têm afirmado considerar impensável uma tomada da Groenlândia pela força, embora evitem criticar Trump de forma direta. Tillis classificou os planos tarifários como “ruins para os Estados Unidos, ruins para as empresas americanas e ruins para os aliados dos Estados Unidos”. Já o líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, John Thune, republicano da Dakota do Sul, declarou que “certamente não há interesse aqui em algumas das opções que foram discutidas ou consideradas”.
Em discurso no plenário, o senador Mitch McConnell, republicano do Kentucky, alertou que uma tentativa de tomar a Groenlândia “destruiria a confiança dos aliados” e mancharia o legado de Trump com uma decisão desastrosa de política externa.
Republicanos e democratas concordam que há caminhos para fortalecer os interesses americanos na Groenlândia sem comprometer a relação com a Dinamarca, membro da OTAN. Em reuniões recentes, autoridades dinamarquesas e da Groenlândia discutiram a cooperação militar e o desenvolvimento de indústrias de minerais críticos, ressaltando que não há evidências de atividades chinesas ou russas na ilha.
Trump, por sua vez, sustenta que os EUA deveriam agir antes de China ou Rússia, argumento que gerou preocupação na Europa e levou ao envio de tropas de países aliados à Groenlândia em apoio à Dinamarca. Murkowski afirmou que “nossos aliados da OTAN estão sendo forçados a desviar atenção e recursos para a Groenlândia, uma dinâmica que beneficia diretamente Putin [presidente da Rússia] e ameaça a estabilidade da mais forte coalizão de democracias que o mundo já viu”.




