Mortos em protestos anti-regime no Irã chegam a 5.000

As manifestações duram mais de 20 dias.


Cerca de 5.000 pessoas já morreram em decorrência da violência durante a atual onda de protestos no Irã, afirmou neste domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência de notícias Reuters.

As manifestações já duram mais de 20 dias e tiveram início em meio à crise econômica e ao alto custo de vida no país do Oriente Médio. Com o avanço dos atos, os protestos passaram a exigir o fim do regime dos aiatolás, que governa o Irã há mais de 40 anos sob leis consideradas repressivas, especialmente em relação às mulheres.

A repressão aos protestos — com relatos de que policiais e militares matam manifestantes a tiros — provocou reação internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar atacar o Irã, reacendendo as tensões entre os dois países rivais. O governo iraniano nega as acusações e afirma que as mortes de civis e de agentes de segurança teriam sido causadas pelos próprios manifestantes, que, segundo Teerã, incitam a violência. As autoridades iranianas também acusam os Estados Unidos de infiltrar agentes nos protestos.

O novo balanço de mortes ainda não foi confirmado oficialmente. A organização norte-americana de direitos humanos HRANA informou no sábado (17) que contabilizou 3.308 vítimas fatais, além de outros 4.382 casos ainda sob análise. Segundo a ONG, aproximadamente 24.000 pessoas foram presas desde o início das manifestações.

Já a organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, estima que ao menos 3.428 manifestantes tenham sido mortos pelas forças de segurança, mas afirma que o número pode ser maior. O canal oposicionista Iran International, com sede no exterior, divulgou um número ainda mais elevado, afirmando que 12.000 pessoas morreram, com base em fontes do governo e da segurança iraniana.

No sábado, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos e declarou que as autoridades do país “têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou Donald Trump pelas mortes ocorridas durante a repressão.

“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (…) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos”, afirmou a apoiadores reunidos durante uma festividade religiosa.

“A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição”, acrescentou.

Desde 28 de dezembro, o país enfrenta uma onda de protestos iniciada por comerciantes insatisfeitos com a crise econômica, que rapidamente evoluiu para uma mobilização contra o regime teocrático instaurado após a Revolução de 1979. As autoridades iranianas classificam os manifestantes como “terroristas” e acusam os Estados Unidos de instigar os atos. O regime também bloqueou o acesso à internet desde 8 de janeiro.

Khamenei voltou a criticar Trump, que havia ameaçado atacar o Irã caso o regime executasse manifestantes detidos. “Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, declarou o líder supremo. “Tudo isso foi uma conspiração americana”, afirmou, acrescentando que “o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (…) e submeter o Irã militar, política e economicamente”.

O procurador de Teerã, Ali Salehi, afirmou à TV estatal que a resposta do regime foi “firme, dissuasiva e rápida”.