A irmã do prefeito Ricardo Nunes (MDB) foi presa na tarde de quinta-feira (15) após o sistema Smart Sampa identificar mandados de prisão em aberto em seu nome. Considerada foragida da Justiça, Janaina Reis Miron foi localizada nas proximidades de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), na zona sul da capital, onde foi reconhecida por câmeras com tecnologia de reconhecimento facial e detida por policiais militares.
Constam nos mandados de prisão os crimes de desacato, embriaguez ao volante e lesão corporal. O Smart Sampa é um programa da Prefeitura de São Paulo que utiliza reconhecimento facial, por meio de câmeras, para identificar foragidos da Justiça e auxiliar na localização de pessoas desaparecidas.
A família da advogada informou que não mantém contato com Janaina há mais de 15 anos e que não se manifestará sobre a prisão. Segundo apuração, a mãe dela e do prefeito cria um dos três filhos de Janaina, enquanto os outros dois vivem com o pai.
Janaina foi condenada por embriaguez ao volante e desacato a policiais militares após uma abordagem ocorrida em outubro de 2022, em uma rodovia de Botucatu, no interior do estado. A sentença foi proferida em julho de 2025. De acordo com os autos, ela dirigia um veículo “com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool e, ao ser abordada, desacatou policiais militares que atuavam na ocorrência”.

Uma policial que participou da abordagem relatou que a equipe realizava patrulhamento quando percebeu que o veículo conduzido por Janaina “estava ziguezagueando”. Segundo o depoimento, ela apresentava sinais de embriaguez, não portava documentos pessoais, estava com o licenciamento do veículo vencido e com a habilitação fora do prazo de validade.
Ainda conforme o relato, ao ser informada de que seria levada ao distrito policial, Janaina “xingou a equipe”, ameaçou soltar os cães que estavam dentro do carro contra os agentes, ficou “bem descontrolada” e chegou a ameaçar correr pela rodovia. A policial afirmou também que a ré disse que o marido era capitão da polícia e que iria prejudicar os agentes, além de declarar que eles deveriam “estar pegando ladrão” e não abordando “uma mãe de família”. Janaina se recusou a realizar o teste do bafômetro.
Na sentença, o juiz destacou que, para a caracterização do crime de embriaguez ao volante, não é necessária exclusivamente a prova técnica, como bafômetro ou exame de sangue, bastando a comprovação de que o motorista conduzia o veículo com a capacidade psicomotora alterada, o que teria sido demonstrado pela prova testemunhal dos policiais militares.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que a prisão está amparada em mandados judiciais, obedeceu ao rigor da lei e foi executada seguindo os critérios de identificação do Smart Sampa.
O caso de lesão corporal ocorreu em novembro de 2014 e teve como vítima um dos filhos de Janaina. Ela foi condenada em abril de 2024. Segundo a denúncia, a ré agrediu a criança com mordidas no braço, puxões de cabelo, batidas da cabeça contra a parede e arremesso de objetos, causando lesões corporais de natureza leve, comprovadas por exame de corpo de delito.
Lançado em 2024, o Smart Sampa é uma das principais bandeiras da gestão Ricardo Nunes. O sistema conta com mais de 30 mil câmeras espalhadas pela cidade e opera a partir de uma Central de Monitoramento que integra órgãos como a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a SPTrans, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e as polícias Civil e Militar.




