A repressão aos protestos em curso no Irã já teria deixado cerca de 2.000 mortos, afirmou nesta terça-feira (13) um membro do governo iraniano, em declaração à agência de notícias Reuters.
Segundo a fonte ouvida pela agência, os manifestantes — classificados por ela como “terroristas” — seriam responsáveis por mortes de civis e de agentes das forças de segurança durante as manifestações. Os protestos tiveram início em dezembro, motivados pela grave situação econômica do país, mas passaram a incorporar reivindicações pelo fim do regime dos aiatolás, que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, após a repressão violenta adotada pelas autoridades.
Também nesta terça-feira, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se “horrorizado” com o que classificou como repressão das forças de segurança iranianas contra protestos pacíficos. Até a manhã desta terça-feira, o governo do Irã não havia confirmado oficialmente o novo balanço de mortos.
Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que a situação no país estava “sob controle total”, após a intensificação da violência relacionada aos protestos ao longo do fim de semana. O chanceler acrescentou que a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de lançar uma nova ofensiva contra Teerã caso a repressão continuasse teria incentivado “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança, com o objetivo de justificar uma eventual intervenção externa.
Em meio à repressão conduzida pelo regime iraniano, os Estados Unidos avaliam a possibilidade de intervir no país. Na semana passada, Trump declarou: “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, em referência ao Irã. O presidente norte-americano já havia mencionado anteriormente a possibilidade de intervenção. Em 2 de janeiro, afirmou que os EUA estavam “prontos para agir” caso manifestantes pacíficos fossem mortos. No sábado (10), voltou a fazer ameaças ao dizer que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”.
Organizações independentes de direitos humanos apresentam números significativamente menores. O grupo HRANA, com sede nos Estados Unidos, informou às agências Reuters e Associated Press (AP) que o total de mortos chegou a 538, incluindo 490 manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança. A entidade também estima que mais de 10.670 pessoas tenham sido presas até domingo (11).
Outras ONGs que acompanham a situação no Irã também relataram um grande número de mortes durante os protestos. Com o país praticamente isolado do exterior após o líder supremo, Ali Khamenei, restringir o acesso à internet, não há confirmação independente sobre o número real de vítimas. Ainda assim, organizações afirmam ter recebido relatos de que forças de segurança iranianas dispararam contra manifestantes.




