Irã diz que pode atacar bases dos EUA e de Israel em caso de ataque americano

Donald Trump avalia atacar o Irã em meio à repressão aos protestos.


O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou no domingo (11) que Teerã considerará bases e instalações militares dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio como “alvos legítimos” caso Washington adote uma ação militar contra o país.

“Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, declarou Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, durante uma sessão do Parlamento iraniano.

Segundo ele, o Irã enfrenta atualmente Israel e os Estados Unidos, simultaneamente, em quatro frentes: econômica, cognitiva, militar e de contraterrorismo. As declarações ocorrem em meio a relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria avaliando opções militares para intervir contra a repressão do regime iraniano aos protestos no país.

Autoridades americanas disseram à emissora CNN que Trump considera cumprir ameaças de atacar o Irã caso o regime utilize força letal contra manifestantes. De acordo com o levantamento mais recente da organização Human Rights Activists in Iran, sediada nos Estados Unidos, pelo menos 490 manifestantes foram mortos e mais de 10 mil pessoas foram presas nos últimos 15 dias.

O país também enfrenta um apagão de comunicações, que entrou no quarto dia consecutivo. Autoridades iranianas suspenderam o acesso à internet e às linhas telefônicas em meio à crise, ampliando o temor de que a repressão seja intensificada durante o bloqueio.

Os protestos tiveram início como resposta à crise econômica e evoluíram para o maior desafio ao regime dos aiatolás em anos. As manifestações passaram a contestar diretamente os governantes clericais, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. Autoridades em Teerã acusam os Estados Unidos e Israel de fomentar os distúrbios.

Em entrevista à televisão estatal, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Israel e os EUA estariam planejando a desestabilização do país e que inimigos do Irã teriam trazido “terroristas que incendiaram mesquitas, atacaram bancos e propriedades públicas”.

“Famílias, eu lhes peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a desordeiros e terroristas que decapitam pessoas e matam outras”, disse Pezeshkian, acrescentando que o governo iraniano estaria disposto a ouvir a população e buscar soluções para os problemas econômicos.