O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que Cuba deixará de ter acesso ao petróleo proveniente da Venezuela, bem como a quaisquer valores ou investimentos realizados pelo país sul-americano na ilha caribenha.
Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou: “Cuba viveu, por muitos anos, com grandes quantidades de PETRÓLEO e DINHEIRO da Venezuela. Em troca, Cuba forneceu ‘serviços de segurança’ para os dois últimos ditadores venezuelanos, MAS NÃO MAIS! A maioria desses cubanos MORREU após o ataque dos EUA da semana passada, e a Venezuela não precisa mais de proteção contra os bandidos e estelionatários que os mantiveram reféns por tantos anos”.
O presidente norte-americano acrescentou: “A Venezuela agora tem os Estados Unidos da América, o exército mais poderoso do mundo (de longe!), para protegê-los — e nós os protegeremos. NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO INDO PARA CUBA — ZERO! Eu sugiro fortemente que eles façam um acordo ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”.
Em resposta, o líder do regime de Cuba, Miguel Díaz-Canel, publicou uma série de mensagens na rede X, nas quais afirmou que os Estados Unidos “não têm moral de apontar o dedo para Cuba em nada, absolutamente nada”, pois “convertem tudo em negócio, inclusive vidas humanas”.
“Aqueles que culpam a Revolução pelas severas dificuldades econômicas que sofremos deveriam calar-se de vergonha, porque sabem — e reconhecem — que essas dificuldades são resultado das medidas draconianas de estrangulamento extremo que os EUA nos impuseram por seis décadas e que agora ameaçam ampliar”, escreveu o dirigente cubano. Segundo ele, “Cuba é uma nação livre, independente e soberana”. “Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; ela é atacada pelos EUA há 66 anos. Ela não ameaça; prepara-se, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue.”
Mais cedo, o chanceler cubano Bruno Rodríguez declarou que o país tem o direito absoluto de importar combustível de mercados dispostos a exportá-lo, sem interferência de Washington.
As declarações de Trump ocorrem uma semana após os Estados Unidos capturarem o ditador venezuelano Nicolás Maduro. A operação militar noturna, realizada no último sábado (3), em Caracas, resultou na morte de dezenas de integrantes das forças de segurança venezuelanas e cubanas.
Trump também republicou uma mensagem que sugeria que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se tornaria presidente de Cuba, acrescentando o comentário: “Parece bom para mim!”. Rubio é filho de imigrantes cubanos e crítico histórico do regime comunista da ilha.
Sob bloqueio econômico dos EUA, Cuba tem na Venezuela um de seus principais aliados econômicos e depende do petróleo fornecido por Caracas, com base em um acordo firmado durante o governo de Hugo Chávez. O governo americano pressiona a liderança interina venezuelana a encerrar o financiamento à ilha desde a captura de Maduro, hoje preso em Nova York, onde responde por acusações de conspiração para o narcotráfico.
Um relatório da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, aponta que a economia cubana enfrenta graves dificuldades, com apagões frequentes, sanções comerciais e risco de perda do petróleo venezuelano. Segundo a agência, a situação é crítica, com quedas de energia de até 20 horas por dia fora de Havana, principal cidade do país, embora ainda distante do colapso vivido no “Período Especial” dos anos 1990.




