O grupo iraniano de direitos humanos HRANA, sediado nos Estados Unidos, estimou neste sábado (10) que ao menos 78 manifestantes foram mortos nos últimos 14 dias, em conexão com as atuais manifestações contra o regime no Irã.
Em comunicado, a HRANA informou que, no total, pelo menos 116 pessoas morreram desde o início dos protestos, incluindo 38 integrantes das forças de segurança. Segundo a organização, ao menos sete dos manifestantes mortos tinham menos de 18 anos. O grupo também afirmou que pelo menos 2.638 pessoas foram presas.
“Com base em dados consolidados até o fim do décimo quarto dia, 574 locais de protesto foram identificados em 185 cidades, abrangendo todas as 31 províncias do país”, informou a HRANA. O número de locais é cumulativo e contabiliza o período desde o início das manifestações, em 28 de dezembro.
“A análise das causas das mortes mostra que a maioria das vítimas foi morta por munição real ou por disparos de armas de chumbinho, predominantemente a curta distância”, disse a HRANA no comunicado. Uma testemunha relatou anteriormente à emissora norte-americana CNN que autoridades iranianas atingiram um de seus parentes com balas de chumbinho durante um protesto realizado na sexta-feira (9).
OS PROTESTOS
Os protestos anti-regime no Irã chegaram ao décimo quarto dia consecutivo neste sábado, em uma onda de agitação nacional considerada o maior desafio ao regime em anos.
As autoridades iranianas cortaram o acesso à internet e às linhas telefônicas na quinta-feira (8) — noite de manifestações mais intensa até o momento —, deixando o país praticamente isolado do mundo exterior.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança respondessem com força aos protestos. O Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, pediu que Trump “foque em seu próprio país” e acusou os EUA de incitarem as manifestações. Segundo a mídia americana, pessoas de mais de 100 cidades participaram dos atos.
Os protestos se espalharam por diversas províncias, incluindo Ilam, região de maioria curda na fronteira com o Iraque, e Lorestão, que emergiram como pontos críticos de instabilidade. Alimentadas por divisões étnicas e pela pobreza, multidões incendiaram ruas e entoaram “Morte a Khamenei”, desafiando diretamente o líder supremo, que detém autoridade máxima sobre os assuntos religiosos e estatais do país.
A agência de notícias Fars, ligada ao Estado iraniano, informou que 950 policiais e 60 militares da força paramilitar Basij ficaram feridos nos confrontos, principalmente nas províncias ocidentais, envolvendo “manifestantes” descritos como equipados com armas de fogo, granadas e outros artefatos.




