“Sempre apoiaremos a OTAN, mas duvido que eles nos apoiem”, diz Trump

Donald Trump voltou a dizer que os EUA são os principais financiadores da OTAN.


Em meio a uma escalada de tensões com aliados da OTAN, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (7) que os EUA “sempre apoiarão a OTAN”, mas disse duvidar que a aliança militar ocidental agiria da mesma forma em favor de seu país.

A declaração ocorreu após críticas de integrantes europeus da OTAN à retomada, pelo governo norte-americano, de ameaças de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, no Ártico. Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos são os principais responsáveis pelo financiamento da aliança militar e manifestou insatisfação por não ter sido escolhido para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, concedido pelo Comitê do Nobel, sediado na Noruega.

“Lembrem-se também que eu, sozinho, TERMINEI 8 GUERRAS, e a Noruega, membro da OTAN, ingenuamente optou por não me conceder o Prêmio Nobel da Paz. Mas isso não importa! O que importa é que eu salvei milhões de vidas”, escreveu o presidente norte-americano.

O Nobel da Paz foi concedido à líder oposicionista venezuelana María Corina Machado. No sábado (3), após a ofensiva dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, Trump afirmou não considerar que Machado esteja pronta para assumir a presidência do país e declarou apoio à posse da vice de Maduro, Delcy Rodríguez, no cargo.

REAÇÕES NA EUROPA

Também nesta quarta-feira, o governo francês informou que países europeus estão preparando um plano de resposta caso os Estados Unidos levem adiante a ameaça de assumir o controle da Groenlândia. Segundo o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, o tema será discutido em reunião com os chanceleres da Alemanha e da Polônia ainda hoje. Não está definido quais outros países participariam da iniciativa.

“Queremos agir, mas queremos fazê-lo junto com nossos parceiros europeus”, afirmou Barrot à rádio France Inter. Uma fonte do governo alemão declarou à agência Reuters que a Alemanha está “trabalhando em estreita colaboração com outros países europeus e com a Dinamarca nos próximos passos em relação à Groenlândia”.

A movimentação ocorre após Trump voltar a afirmar que não descarta o uso de força militar para assumir o controle da ilha. Barrot disse ainda que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descartou essa hipótese de uma invasão dos EUA à ilha. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que um eventual ataque norte-americano à Groenlândia poderia significar o fim da OTAN.

Reportagem do jornal The Washington Post informou que autoridades dos EUA disseram recentemente a interlocutores europeus que uma ação contra a Groenlândia se tornou uma possibilidade cada vez mais concreta. Já, segundo o The New York Times (NYT), Rubio afirmou ao Congresso dos EUA que Trump pretende tentar comprar o território e que as declarações públicas fariam parte de uma estratégia para forçar uma negociação. Autoridades europeias e dinamarquesas reiteraram que a Groenlândia não está à venda.