“Espero que não venham”, diz Nunes sobre venezuelanos

A saída de Maduro pode reduzir o deslocamento forçado da população.


O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, na segunda-feira (5), que espera que venezuelanos deixem de migrar para a capital paulista para fugir da Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado (3). Segundo ele, a saída do líder venezuelano do poder tende a reduzir a necessidade de deslocamento forçado da população.

“Agora que foi capturado o ditador Nicolás Maduro, que estava exercendo a Presidência de forma ilegítima, porque ele fraudou as eleições e tiveram mais de 8 milhões de venezuelanos que tiveram que fugir do seu país, a gente espera que, com essa situação do afastamento dele, diminua a necessidade de que as pessoas fujam”, afirmou.

Nunes destacou a capacidade atual da rede municipal de acolhimento e disse esperar que não haja novos fluxos migratórios. “Hoje nós temos 27 mil vagas, estamos com 21 mil locais ocupados nos nossos abrigos. Espero que não venham [os venezuelanos], até porque agora eles não têm necessidade, tendo em vista estar preso e respondendo lá na Justiça dos Estados Unidos esse ditador Nicolás Maduro, amigo do Lula. A gente espera agora que eles não necessitem vir para cá. Se vierem, obviamente, a cidade de São Paulo vai receber a todos com muito carinho, como sempre fez”, concluiu.

A declaração foi dada durante coletiva de imprensa após a entrega de títulos de regularização fundiária urbana da CDHU, ao lado do governador em exercício, Felicio Ramuth, na Escola Estadual Professora Bernardete Aparecida Pereira Godoi.

O prefeito também comentou críticas baseadas no direito internacional e afirmou que haveria um direito fundamental que estaria sendo ignorado: o da “dignidade humana”. Segundo ele, há diversos relatos de venezuelanos nas redes sociais — tanto de quem ainda vive no país quanto de quem precisou deixá-lo — pedindo que terceiros parem de opinar sobre uma realidade que não vivenciaram. “Eu acho que só quem já viveu ditadura pode ter condições de dizer sobre essa ação de você tirar o ditador do país, né? […] Então, a gente precisa ter primeiro a questão de um direito fundamental, que é o direito da dignidade humana. Que direito internacional você pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza? Quando você tem um Estado que expulsa 8 milhões de venezuelanos? Quer dizer, é muita demagogia.”

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a Prefeitura de São Paulo tem atualmente 1.009 imigrantes venezuelanos acolhidos na rede assistencial do município. Eles estão em centros de acolhida exclusivos para estrangeiros, nas Vilas Reencontro e em outros equipamentos municipais. “Além do acolhimento, a prefeitura oferece orientação para a regularização migratória, acesso a direitos sociais e inclusão social, entre outros serviços, no Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) Oriana Jara, na região central. Em 2025, foram atendidos 1.538 cidadãos vindos da Venezuela nesta unidade”, informou a pasta.