A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) realizou, na semana passada, um ataque com drone contra uma instalação portuária na Venezuela, marcando a primeira operação conhecida dos EUA dentro do país, informou o jornal norte-americano The New York Times (NYT) na segunda-feira (29).
Segundo a publicação, o ataque teve como alvo um cais que autoridades americanas acreditam ser usado pela organização criminosa transnacional Tren de Aragua para armazenar narcóticos e prepará-los para embarque por navio. Fontes ouvidas sob condição de anonimato pelo NYT afirmaram que não havia ninguém no local no momento da operação e que não houve vítimas fatais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente na tarde de segunda-feira que o país foi responsável pelo ataque, embora tenha se recusado a fornecer detalhes sobre como ele foi realizado ou quem o executou. “Houve uma grande explosão na área do cais onde as drogas são carregadas nos navios”, disse o republicano a repórteres em seu resort particular na Flórida, Mar-a-Lago.
O regime venezuelano não comentou diretamente a operação. Já o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, denunciou uma série de ações envolvendo “assédio, ameaças e ataques”.
De acordo com o New York Times, a operação representa uma intensificação da campanha de pressão do governo Trump contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Até então, essa estratégia se limitava a ações em águas internacionais contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas, além do confisco de petroleiros e de um bloqueio naval contra cargueiros de petróleo sancionados. O Pentágono implantou drones MQ-9 Reaper na região como parte dessa estratégia, acrescentou o jornal.
Há várias semanas, como parte da campanha de pressão contra Maduro, os Estados Unidos vêm destruindo embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico. O episódio mais recente ocorreu na segunda-feira.
Segundo autoridades americanas, duas pessoas morreram no ataque mais recente dos EUA contra uma embarcação que transportava, segundo Washington, drogas no Pacífico, elevando para ao menos 107 o número de mortos na ofensiva norte-americana na região contra o narcotráfico.




