Autoridades israelenses alertaram o governo do presidente norte-americano Donald Trump neste fim de semana de que um exercício com mísseis da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã pode representar um preparativo para um ataque contra Israel. A informação foi divulgada pelo site Axios neste domingo (21), com base em três fontes israelenses e americanas com conhecimento do assunto.
Segundo as fontes, embora os dados de inteligência dos EUA indiquem apenas movimentações de forças iranianas, a tolerância ao risco das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) é hoje significativamente menor do que no passado, especialmente após o ataque terrorista surpresa do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
Uma fonte afirmou ao Axios que a inteligência israelense levantou preocupações semelhantes há cerca de seis semanas, após identificar movimentações de mísseis iranianos, mas que, à época, nenhuma ação resultou dessas informações. “As chances de um ataque iraniano são menores que 50%, mas ninguém está disposto a correr o risco e simplesmente dizer que é apenas um exercício”, disse uma fonte israelense ao site.
De acordo com uma fonte norte-americana ouvida pelo Axios, a inteligência dos Estados Unidos não possui, no momento, indícios de que um ataque iraniano seja iminente.
Segundo o site, nos bastidores, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, tenente-general Eyal Zamir, telefonou no sábado (20) para o comandante do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, na sigla em inglês), almirante Brad Cooper. Segundo as fontes, Zamir afirmou que Israel está preocupado com o exercício de mísseis iniciado há alguns dias pela Guarda Revolucionária Islâmica.
Ainda conforme os relatos, Zamir alertou que os recentes movimentos de mísseis iranianos e outras medidas operacionais poderiam servir de fachada para um ataque surpresa e defendeu uma coordenação mais estreita entre forças americanas e israelenses nos preparativos defensivos. Cooper esteve em Tel Aviv neste domingo e se reuniu com Zamir e outros altos oficiais israelenses para discutir o cenário. As Forças de Defesa de Israel se recusaram a comentar, e o CENTCOM não respondeu imediatamente aos pedidos de esclarecimento do Axios.
Fontes ouvidas pelo site avaliam que o principal risco é uma escalada involuntária entre Israel e Irã, provocada por erro de cálculo, com cada lado acreditando que o outro planeja atacar primeiro.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve se reunir com Trump em 29 de dezembro, em Miami, na Flórida. Segundo fontes israelenses ouvidas pela imprensa norte-americana, Netanyahu pretende discutir os esforços do Irã para reconstruir suas capacidades de mísseis balísticos e a possibilidade de um novo ataque contra o país em 2026. A emissora NBC News foi a primeira a noticiar a intenção do premiê.
Fontes israelenses afirmaram ainda que a inteligência do país observa sinais iniciais de reforço das capacidades de mísseis iranianas, com maior nível de motivação do que o demonstrado desde a guerra de 12 dias, em junho. Ao fim do conflito, o Irã teria cerca de 1.500 mísseis, ante os 3.000 que possuía anteriormente, e aproximadamente 200 lançadores, contra 400 antes da guerra.
Apesar de reconhecerem esforços de reconstrução, fontes ouvidas pelo Axios disseram que a inteligência militar israelense e o Mossad não veem, por ora, urgência para uma ação militar nos próximos dois ou três meses, embora avaliem que o tema pode ganhar maior relevância ao longo do próximo ano.




